O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançaram um novo alerta global sobre a necessidade de ampliar a cobertura vacinal entre crianças em todo o mundo. Dados atualizados revelam que, em 2024, cerca de 115 milhões de crianças, que é o equivalente a 89% da população infantil global, receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). No entanto, quase 20 milhões ainda perderam ao menos uma dose, incluindo 14,3 milhões que não foram imunizadas com nenhuma vacina.

Esses números estão abaixo das metas estabelecidas pela Agenda de Imunização 2030, que busca garantir proteção completa a todas as crianças contra doenças evitáveis. Para alcançar essa meta, seria necessário um número 4 milhões menor de crianças não imunizadas do que o registrado no último ano. A comparação com 2019, ano base da agenda, mostra um aumento de 1,4 milhão de crianças fora da cobertura vacinal.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Campanha de vacinação contra gripe

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, as vacinas são essenciais para salvar vidas e permitir o desenvolvimento de comunidades. Ele destacou, no entanto, que cortes no financiamento internacional e a disseminação de desinformação sobre a segurança das vacinas colocam em risco os avanços conquistados nas últimas décadas.

Conflitos, crises e desigualdade dificultam o acesso

Entre os principais obstáculos à vacinação estão os conflitos armados, a instabilidade política, falhas na cadeia de suprimentos e o acesso limitado aos postos de vacinação. Dados revelam que um quarto das crianças do mundo vive em apenas 26 países afetados por fragilidade, conflitos ou crises humanitárias, mas essas regiões concentram metade de todas as crianças não vacinadas globalmente.

Nesses países, o número de crianças sem nenhuma vacina aumentou de 3,6 milhões em 2019 para 5,4 milhões em 2024. O Unicef e a OMS reforçam que respostas humanitárias devem incluir ações de imunização como parte fundamental dos esforços de socorro.

Queda de cobertura em países ricos e avanços pontuais

Os dados mostram que, embora 131 dos 195 países analisados tenham alcançado consistentemente pelo menos 90% de cobertura com a primeira dose da DTP desde 2019, o progresso estagnou. Em 47 países, a situação piorou ou permaneceu inalterada. Desses, 22 já haviam atingido a meta de 90% em 2019, mas regrediram nos anos seguintes.

Sem anúncio no momento

Em contraste, nos 57 países de baixa renda apoiados pela Gavi (a Aliança para Vacinas), houve uma leve melhora no último ano, com uma redução de cerca de 600 mil crianças não vacinadas ou parcialmente vacinadas. Ainda assim, mesmo nos países mais desenvolvidos, sinais de declínio preocupam especialistas. Pequenas quedas na cobertura vacinal podem levar a surtos de doenças como sarampo, meningite e poliomielite, sobrecarregando ainda mais os sistemas de saúde.

HPV, sarampo e metas distantes

Apesar dos desafios, algumas vacinas vêm registrando avanços. A cobertura global da vacina contra o papilomavírus humano (HPV) cresceu de 17% em 2019 para 31% em 2024, impulsionada por ampliações nacionais e pela adoção de esquemas de dose única. No entanto, a meta global é de atingir 90% de cobertura até 2030.

Já a cobertura contra o sarampo chegou a 84% para a primeira dose e 76% para a segunda, ainda abaixo dos 95% necessários para evitar surtos. Estima-se que 2 milhões de crianças adicionais tenham sido vacinadas em 2024, um progresso modesto diante da meta.