O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa ( DHPP ) concluiu a investigação sobre o assassinato do pescador Francisco das Chagas , mais conhecido como “Chico Sapato”, ocorrido na zona rural de José de Freitas em 12 de janeiro de 2026. O caso resultou no indiciamento de três homens por organização criminosa e homicídio qualificado.
Em entrevista, o delegado Bruno Ursulino explicou que a morte foi motivada por retaliação de um grupo criminoso estruturado, com atuação interestadual. Segundo ele, os suspeitos acreditavam que a vítima teria informado às autoridades a localização do grupo, que se escondia na região de José de Freitas “tratava-se de uma organização criminosa com hierarquia, estabilidade e atuação contínua. A vítima foi executada de forma violenta, sem qualquer chance de defesa, em razão de um motivo torpe”, destacou o delegado.
Dinâmica do crime
As investigações apontaram a participação direta de três suspeitos:
Jefferson Willyam da Silva Santiago , que estava na garupa da motocicleta e efetuou disparos com um revólver calibre .38;
Francisco Douglas Alves da Silva , conhecido como “Bigodinho”, que pilotava o veículo e também atirou contra a vítima com um revólver calibre .32;
Um terceiro envolvido, Francisco Cláudio Alves da Silva , tio de Douglas, que teria informado a localização da vítima aos executores. A polícia conseguiu individualizar a conduta de cada um, o que embasou o pedido de prisão preventiva, posteriormente aceito pela Justiça.
Envolvimento de facção criminosa
O delegado também revelou que o crime está ligado a um grupo conhecido como “Tropa do G”, liderado por um homem apelidado de “Galego”, já investigado por homicídios e outros crimes em diferentes estados, como Rio Grande do Norte e Paraíba.
A organização teria ligação com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e buscava expandir sua atuação na região de José de Freitas, praticando crimes como tráfico de drogas, roubo de motocicletas, venda ilegal de armas e execuções por encomenda.
Segundo a investigação, após a prisão de integrantes do grupo em uma operação conjunta envolvendo forças policiais do Piauí e do Rio Grande do Norte, o líder teria ordenado a execução de Chico Sapato como forma de represália.
Durante diligências posteriores, o suspeito conhecido como Galego morreu em confronto com a polícia. A arma encontrada com ele, um revólver calibre .38, foi identificada como a mesma utilizada no homicídio.
Continuidade das investigações
O DHPP informou que o caso segue com desdobramentos. Informações levantadas serão compartilhadas com outras unidades policiais para aprofundar investigações relacionadas ao grupo criminoso. “Estamos ampliando o alcance das investigações para responsabilizar todos os envolvidos, não apenas neste homicídio, mas em outros crimes praticados na região”, concluiu o delegado.
O delegado Bruno Ursulino reforçou que novas diligências poderão ser realizadas em função de outras informações que poderão esclarecer novos crimes na região.
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