A Coluna obteve com exclusividade a relação dos 26 investigados alvos da segunda fase da Operação Macondo, deflagrada nessa quinta-feira (05) no Piauí e nos estados do Ceará, Maranhão e Pernambuco. A ação mira uma organização criminosa formada majoritariamente por colombianos, acusada de atuar de forma sistemática na prática da agiotagem, com uso de violência e intimidação contra vítimas e familiares.
Do total de alvos, 23 tiveram prisões decretadas pela Justiça. Até o momento, 14 investigados foram presos, enquanto nove seguem foragidos.
De acordo com a Superintendência de Operações Integradas (SOI) da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo cobrava juros abusivos e recorria à violência física e moral para garantir o pagamento das dívidas. As investigações apontaram ainda que a pressão exercida pelos criminosos teve consequências extremas.
Um dos casos mais graves apurados pela polícia envolve o suicídio de um comerciante, ocorrido ainda no ano passado, por ocasião das investigações da primeira fase da operação. A vítima não suportou as constantes ameaças e cobranças impostas pela organização criminosa.
“Além dos empréstimos com juros abusivos, esses colombianos utilizavam muita violência física e psicológica contra as pessoas que contraíam os empréstimos e também contra seus familiares. Em alguns casos, um comerciante chegou a cometer suicídio por não suportar a pressão. Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, 26 pessoas foram alvos, 23 prisões decretadas e conseguimos efetivar 14 prisões. Há ainda nove foragidos. As ações ocorreram no Norte e Sul do Piauí, na capital e também em Petrolina, Pernambuco. Apreendemos quase R$ 6 mil em dinheiro e diversos objetos que comprovam a veracidade da investigação”, detalhou o superintendente da SOI, delegado Matheus Zanatta.
Relação completa dos alvos da Operação Macondo
Cristhian Andres Rojas Montoya
Antonio José Grajales Tobon
Alexis González Giraldo
Brahyan Cardenas Yarce
Jhon Alexander Marulanda Castro
Bryan Steven Perez Espinosa
Anderson Sebastian Rico Diaz
Carlos Luis Hernández Sánchez
Michael Steven Pinchao Ceron
Victor Alfonso Salazar Rios
Ender Yohel Gonzalez Davila
Jorge Eduardo Porras Leon
Carlo Mario Ballestero Lopez
Dany Daniel Paredes Daquilema
Wilson Stiven Goyeneche
Yaqueline Alzate Arias (alcunha “Mylena”)
Marbyo Alves da Costa
Iris Johana Robles Caballero
Jhonatan Estiven Ramirez Jimenez
Eduar Alejandro Huertas Gomez
Leonardo Jose Alvarez Martinez
Duvan Fernandez Caicedo
Lisbeth Catarine Bravo Paz
Jonatan Dario Posada Fernandez
Wilmar Sepulveda Durango
Robert Miguel Meza Quesada
Annys Karelis Aponte Marin
O delegado Roni Silveira, da Superintendência de Operações Integradas (SOI), afirmou que a segunda fase da operação deverá evoluir para novas prisões ao longo das oitivas realizadas até o momento.
Rapidinhas
Morte de pescador em José de Freitas foi encomendada por R$ 5 mil, diz DHPP
A morte do pescador Francisco das Chagas, conhecido como “Chico Sapato”, ocorrida no município de José de Freitas, foi encomendada pelo valor de R$ 5 mil, além do quitamento de uma dívida, segundo revelou o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com o delegado Bruno Ursulino, responsável pela investigação, a vítima foi assassinada por engano, após ser falsamente acusada de colaborar com a polícia em uma operação que desarticulou um grupo de pistoleiros que atuava na região.
As investigações apontam que o crime foi articulado por Janildo Amaro de Oliveira, conhecido como “Galego”, apontado como líder do grupo criminoso. O mandante, no entanto, foi morto há cerca de duas semanas durante uma intervenção do Batalhão Especial de Policiamento do Interior (BEPI), no município de Luzilândia.
Dinâmica do crime
Segundo o DHPP, os executores foram identificados como:
Francisco Douglas Alves da Silva, conhecido como “Bigodinho”, piloto da motocicleta utilizada no crime; Jefferson Willyam da Silva Santiago, que estava na garupa da moto. Ele possuía uma dívida relacionada à compra de um leitão com o mandante e é casado com a mãe do piloto e Francisco Cláudio Alves da Silva, apontado como o olheiro da ação criminosa.
Conforme o delegado Bruno Ursulino, a motivação do homicídio surgiu após uma operação policial realizada em novembro de 2025, que resultou na prisão de diversos pistoleiros escondidos em uma propriedade rural. “Descobrimos que, naquela região, havia um grupo de pistoleiros que se escondia em um sítio, onde comercializavam entorpecentes e produtos ilícitos, como motocicletas roubadas. Esses criminosos mantinham vínculos com bandidos locais, entre eles os suspeitos presos. A vítima foi apontada, de forma equivocada, como colaboradora da polícia, sob a alegação de que teria informado a localização do local onde o grupo estava escondido, o que não se confirmou”, explicou o delegado.
Crime encomendado
Ainda segundo a autoridade policial, Galego determinou a execução da vítima como forma de represália, acreditando que ela teria colaborado com a polícia. “A ordem foi clara: executar a vítima como forma de castigo. Ele ofereceu R$ 5 mil ao Francisco Douglas e, no caso do Jefferson, prometeu quitar uma dívida relacionada à compra de animais”, detalhou Bruno Ursulino.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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