A Justiça determinou a remoção de vídeos íntimos divulgados por José Cleuton da Silva , preso durante a Operação Lente Oculta, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), da Polícia Civil do Piauí, na última sexta-feira (29). Segundo o delegado Humberto Mácola, responsável pela investigação, o material era comercializado pela internet, principalmente por meio do Telegram, e envolvia inclusive vítimas menores de idade.
Em entrevista, o delegado afirmou que as investigações começaram após pelo menos sete mulheres procurarem a especializada ao descobrirem que vídeos íntimos estavam circulando em diferentes estados do país.
“A identificação iniciou com um relato de pelo menos sete vítimas que chegaram aqui desesperadas, porque vídeos delas tinham sido divulgados no Brasil inteiro, inclusive pessoas do Rio de Janeiro ligando para elas, informando que esses vídeos tinham sido vazados, com cenas de sexo explícito, incluindo menores de idade”, declarou Humberto Mácola.
Como o suspeito agia
De acordo com a investigação, o suspeito atraía mulheres prometendo pagamento e realizava gravações sem o consentimento das vítimas. “Ele atraía as vítimas, fazia pagamento para elas e, no momento dessas filmagens, utilizava um artifício para elas não perceberem que estavam sendo filmadas”, explicou o delegado.
Ainda conforme a polícia, o investigado escondia câmeras em objetos adaptados. “Ele utilizava algumas pastas com orifícios que estavam mascarados, escondidos, e conseguia fazer essas filmagens”, relatou.
Após registrar as imagens, o homem utilizava ferramentas tecnológicas para vender e disseminar os vídeos em grupos na internet. “Posteriormente, nós identificamos já nesse ano também essas vendas desse material, inclusive pelo Telegram, utilizando bots, ferramentas tecnológicas, cibernéticas, para propagar essas imagens”, disse Mácola.
As vítimas descobriram a divulgação do conteúdo após terceiros avisarem sobre a circulação dos vídeos. “Tanto que as vítimas ficaram sabendo, se depararam com essas imagens delas, que há um tempo atrás foram filmadas”, acrescentou.
Telegram removeu conteúdo após pedido da polícia
Segundo Humberto Mácola, o Telegram atendeu rapidamente à solicitação feita pela Polícia Civil para retirada do material. “Imediatamente protocolamos esse pedido junto ao Telegram, foi derrubado esse vídeo”, afirmou.
O delegado informou ainda que a polícia pediu mecanismos para impedir novas publicações envolvendo as vítimas. “Pedimos inclusive uma inovação para que todos os vídeos que forem indexados dessas vítimas, porventura que venham a ser publicados, sejam também derrubados em qualquer plataforma”, completou.
Vídeos eram vendidos por até R$ 100
As investigações apontam que o material era comercializado por valores entre R$ 75 e R$ 100. “Esse material era vastamente divulgado na internet pelo valor de 75 a 100 reais”, revelou o delegado.
Uma das vítimas descobriu a venda após receber informações de uma amiga que mora em outro estado brasileiro.
Consumidores também podem responder criminalmente
O delegado alertou que pessoas que compraram ou armazenaram os vídeos também podem ser responsabilizadas criminalmente, principalmente nos casos envolvendo menores de idade. “É notório que nas filmagens se encontram menores de idade. Então, de acordo com o ECA Digital, se você tiver no computador, no celular ou em qualquer dispositivo imagens de menor em atos sexuais, pode ser responsabilizado”, explicou.
Segundo ele, além da divulgação não autorizada de imagens íntimas, o consumo do material também configura crime. “O consumo desse material é crime. A sociedade precisa combater esse tipo de crime e rechaçar qualquer divulgação pornográfica infantil ou de vítimas que não consentiram”, afirmou.
Mácola reforçou ainda o alerta para os riscos nas relações iniciadas pela internet. “A DRCC dá essa recomendação: tome muito cuidado com quem você se relaciona, com quem você está falando na internet. Apesar de ser um local maravilhoso para relacionamentos, também é um ambiente muito perigoso”, concluiu.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1