A Justiça autorizou a quebra do sigilo dos dispositivos eletrônicos apreendidos com José Felipe da Cunha Filho , preso pela Polícia Federal após ser flagrado com R$ 1 milhão em espécie logo depois de sacar o dinheiro em uma agência do Banco do Brasil, no centro de Teresina. A decisão atende a um pedido da autoridade policial e tem como objetivo aprofundar as investigações sobre possível prática de lavagem de dinheiro.
Na decisão, a Justiça considerou que há elementos concretos que justificam o acesso ao conteúdo do aparelho celular do investigado. Segundo os autos, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) aponta que José Felipe já havia sido alvo de comunicações anteriores por realizar sucessivos saques de grandes quantias em dinheiro consideradas atípicas pelos órgãos de controle.
Além disso, a investigação apontou que o investigado foi encontrado, no dia 19 de junho de 2026, transportando R$ 1 milhão sacado em nome de pessoas jurídicas com as quais, em princípio, não possui vínculo societário, empregatício ou funcional.
Com a autorização judicial, a Polícia Federal poderá realizar o desbloqueio, extração, espelhamento e análise dos dados armazenados no celular apreendido, incluindo conversas em aplicativos de mensagens, registros de chamadas, e-mails, fotografias, vídeos, arquivos de áudio e conteúdos de redes sociais, como WhatsApp, Facebook e Instagram.
Na decisão, ressalta-se que a medida é necessária para identificar a origem e o destino dos recursos movimentados, esclarecer a dinâmica das operações financeiras investigadas e apontar a eventual participação de outras pessoas no esquema.
A decisão autoriza que as informações extraídas do aparelho sejam utilizadas como prova em outros inquéritos policiais ou procedimentos investigativos, caso sejam encontrados indícios de novos crimes ou da participação de outros investigados.
Rapidinhas
José Felipe da Cunha Filho responde processo em liberdade
José Felipe da Cunha Filho foi solto 24 horas depois, durante audiência de custódia, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre elas estão a proibição de se ausentar por mais de 15 dias sem autorização judicial, o comparecimento sempre que for intimado e a proibição de manter contato com as pessoas envolvidas na ocorrência.
A Justiça advertiu que o descumprimento das determinações poderá resultar na decretação da prisão preventiva.
Novos indiciamentos a vista
O DHPP aguarda apenas o relatório da extração de dados de um celular apreendido para concluir o segundo inquérito que investiga o assassinato do morador de rua José Carlos da Costa Araújo, o "Da Mata", morto a facadas em novembro de 2025, na região central de Teresina.
Análise técnica
A expectativa é que o conteúdo do aparelho confirme informações já reunidas pelos investigadores e fortaleça o indiciamento de novos suspeitos apontados como participantes da execução.
Conclusão próxima
Com a entrega do laudo pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil do Piauí, o inquérito deverá ser encerrado e remetido à Justiça nas próximas semanas, ampliando o número de investigados pelo homicídio.
Silêncio no Evangelina
Chamou a atenção nos bastidores da Segurança Pública o fato de a Polícia Militar não ter sido acionada imediatamente em uma ocorrência registrada na Maternidade Evangelina Rosa, na tarde dessa segunda-feira (06).
A ausência de comunicação às autoridades levanta questionamentos sobre o cumprimento dos protocolos em casos que exigem investigação policial. O episódio deverá ser esclarecido pelo delegado Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
B.O registrado
A direção da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que registrou boletim de ocorrência no mesmo dia do caso e que está colaborando integralmente com a investigação, incluindo o fornecimento de imagens do circuito interno de segurança às autoridades policiais.
Servidora afastada
Como medida administrativa, a profissional apontada como supostamente envolvida foi afastada das funções até a conclusão das investigações. A maternidade afirma que o resultado da apuração definirá as providências administrativas e legais cabíveis.
Assistência à família
A unidade também informou que a mãe, o bebê e a acompanhante receberam atendimento médico, acolhimento e acompanhamento das equipes de Serviço Social e Psicologia durante todo o período após o ocorrido.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1