O governo de Sílvio Mendes (União Brasil) caminha sobre terreno cada vez mais instável. Quase um ano após a eleição, o prefeito acumula desgaste político, administrativo e popular, resultado de promessas não cumpridas, aliados insatisfeitos e respostas tardias (ou simplesmente inexistentes) às demandas que antes prometia atender com entusiasmo.

A Coluna apurou que muitos aliados se sentem abandonados. De pedidos informais a solicitações oficiais, a maioria não obteve retorno ou recebeu justificativas burocráticas. O resultado é um clima de frustração generalizada, que se espalha por todo o Palácio da Cidade e compromete a coesão política do grupo que o elegeu.

Foto: Lucas Dias/GP1
Sílvio Mendes

Um dos epicentros desse desgaste é o vereador Petrus Evelyn (Progressistas), que, eleito como aliado, agora se define como parlamentar “independente”. Ele enviou diversos ofícios à Prefeitura cobrando informações sobre transporte público, saúde, educação, servidores terceirizados e contratos precários - todos de interesse público. Diante do silêncio da gestão, ingressou em 14 de outubro de 2025 com um mandado de segurança para obrigar o prefeito a responder formalmente às solicitações, sob pena de multa diária. Petrus enfatiza que suas cobranças não têm caráter de oposição , mas expressam o dever do gestor de prestar contas à população.

Ao produzir a reportagem sobre o pedido do vereador , o GP1 procurou Sílvio Mendes, como exige o bom jornalismo, para garantir seu direito de resposta. A reação inicial do prefeito, porém, evidenciou o descompasso entre sua postura pessoal e a condução da administração.

Em vez de tratar das cobranças feitas pelo vereador, Sílvio Mendes usou o espaço para atacar a advogada Ívilla Araújo, responsável pela representação de Petrus no processo – embora o nome dela sequer tivesse sido mencionado na reportagem original.

Foto: Lucas Dias/GP1
Advogada Ívilla Araújo

Ívilla Araújo, vale lembrar, foi advogada do União Brasil, partido pelo qual Sílvio Mendes se elegeu, e teve atuação técnica importante durante a campanha, em embates jurídicos decisivos que contribuíram para a vitória eleitoral, como destacou a coluna do jornalista Gil Sobreira .

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A postura do prefeito gerou forte repercussão negativa, provocando manifestações de apoio à advogada por parte de colegas e representantes da OAB, que criticaram o tom pessoal e deslocado do ataque.

Diante da má repercussão de sua declaração, no dia seguinte, 22 de outubro de 2025, Sílvio Mendes enviou uma nota ao GP1 , desta vez em tom ainda mais agressivo . O prefeito acusou o portal de “omitir a versão oficial” e de “divulgar conteúdo irresponsável e manipulador”, exigindo direito de resposta formal e ameaçando acionar a Justiça - espaço que já havia sido concedido ao prefeito de forma respeitosa no dia anterior.

O comportamento de Sílvio Mendes evidencia fragilidade política, dificuldade em lidar com a imprensa, incapacidade de responder a cobranças legítimas e descontrole diante da crítica pública - justamente em um momento em que a cidade exige responsabilidade, serenidade e soluções concretas.

O episódio envolvendo Petrus Evelyn e Ívilla Araújo revela o contraste cada vez mais evidente entre o discurso público sereno de Sílvio Mendes e a conduta autoritária adotada longe das câmeras. Nos bastidores, prevalece o tom agressivo e a resistência ao diálogo – traços que ajudam a explicar o isolamento político e o crescente desgaste de sua gestão.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1