O papel de parlamentares e gestores públicos deveria ser claro e inegociável: combater o sedentarismo e promover saúde. Em um país onde as doenças crônicas consomem boa parte dos recursos da saúde pública, incentivar a prática de atividade física não é um luxo — é uma necessidade urgente.
Quando um parlamentar cria um projeto de lei que dificulta a participação popular em corridas de rua, ainda que sob o discurso de “organização” ou “segurança”, o efeito prático é outro: desestimular a população a se movimentar. Da mesma forma, quando uma prefeitura impõe excesso de burocracia para autorizar eventos esportivos, especialmente as corridas de rua, o que se faz, na prática, é incentivar o sedentarismo.
E isso é extremamente grave. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já classificou o sedentarismo como um dos maiores males do século, diretamente associado ao aumento de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, depressão e diversos tipos de câncer. Ou seja, qualquer ação do poder público que dificulte o acesso da população à prática esportiva vai na contramão da ciência, da saúde e do interesse coletivo.
Felizmente, o Piauí vive um momento muito positivo para a saúde da população, com o crescimento expressivo das corridas de rua, que são democráticas, acessíveis, de baixo custo e capazes de envolver pessoas de todas as idades. Esse movimento espontâneo precisa ser apoiado, facilitado e protegido, e não travado por projetos irrelevantes ou decisões desconectadas da realidade da saúde pública.
Se nossos parlamentares e gestores públicos não atrapalharem, já estarão ajudando muito. Melhor ainda seria se entendessem que incentivar o esporte, simplificar processos, apoiar eventos e estimular um estilo de vida ativo é uma das formas mais eficientes, baratas e inteligentes de cuidar da saúde da população e reduzir gastos futuros com doenças evitáveis.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1