Vivemos em uma era onde celulares, tablets e videogames fazem parte da rotina diária de nossas crianças e adolescentes. Mas o que muitos pais e educadores ainda não sabem é o que esses dispositivos estão fazendo silenciosamente com o cérebro dos mais jovens — principalmente com relação à dopamina, o “neurotransmissor da recompensa”.

Cada curtida em uma rede social, cada vitória em um jogo ou cada vídeo curto e engraçado assistido libera dopamina no cérebro. Esse mecanismo é o mesmo que está por trás de vícios como o do cigarro, das drogas e do álcool. A diferença é que, com as telas, isso está acontecendo de forma constante e muito precoce, em cérebros ainda em formação.

Foto: Arquivo pessoal/Demóstenes Ribeiro
Demóstenes Ribeiro

O excesso de dopamina gerado pelo uso compulsivo das telas cria uma dependência química silenciosa. A criança ou adolescente começa a perder o interesse por atividades comuns, como brincar ao ar livre, conversar com os amigos ou estudar. Nada parece mais estimulante do que estar diante de uma tela. Isso gera um comportamento ansioso, irritadiço e muitas vezes depressivo quando o acesso ao celular, por exemplo, é restringido.

Além disso, a constante superestimulação provocada pelas telas reduz a capacidade de foco, concentração e paciência. Estamos criando uma geração que quer tudo “pra ontem”, que não sabe esperar, que tem dificuldade em lidar com o tédio — uma habilidade fundamental para o desenvolvimento da criatividade e da resiliência emocional.

Portanto, é urgente que pais, responsáveis e educadores compreendam que o uso descontrolado de telas não é apenas uma questão de lazer: é um fator de risco sério para a saúde mental das nossas crianças e adolescentes. Estabelecer limites, promover momentos longe dos eletrônicos e incentivar atividades físicas e criativas é uma forma poderosa de proteger o cérebro em desenvolvimento e garantir um futuro emocionalmente mais saudável para essa geração.

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*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1