Essa é uma questão delicada e muito pertinente. Quando surgem novas diretrizes sobre pressão arterial — por exemplo, considerar 12/8 como pré hipertensão, automaticamente milhões de pessoas vão ficar com medo e podem se considerar como hipertensas. Isso, por si só, gera um mercado gigantesco.

Quem se beneficia diretamente?

1.Indústria farmacêutica: cada novo “hipertenso” potencialmente se torna um consumidor de medicamentos anti-hipertensivos por décadas.

2.Clínicas e hospitais privados: mais consultas, mais check-ups, mais exames de rotina.

3.Fabricantes de equipamentos: como aparelhos de pressão e monitores digitais.

4.Planos de saúde: que vão poder justificar reajustes com base na "maior complexidade e necessidade de cuidado da população”.

Foto: Demóstenes Ribeiro
Demóstenes Ribeiro

E quem perde?

1.A população em geral, que passa a viver com a rotulagem de doente, mesmo quando está saudável. Isso aumenta ansiedade, dependência de medicamentos e, muitas vezes, cria efeitos colaterais desnecessários.

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2.O sistema público de saúde, que fica sobrecarregado com o aumento súbito de pacientes “hipertensos”, exigindo mais recursos e atendimentos.

O discurso oficial sempre é “cuidar da saúde, prevenir complicações”, mas é impossível ignorar que existe um interesse econômico bilionário por trás. A hipertensão é uma doença crônica, ou seja, garante consumo contínuo de medicamentos.

Em resumo: as novas diretrizes podem até ter fundamentos científicos discutíveis, mas o que movimenta bilhões não é a saúde da população, e sim a medicalização em massa.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1