Durante muito tempo se repetiu a ideia de que as pessoas comem mal porque não têm dinheiro. Embora a dificuldade financeira exista e precise ser respeitada, essa explicação, sozinha, não sustenta a realidade que vemos hoje. Em grande parte dos casos, o problema não é a falta de recursos, mas a falta de informação.

Nunca se gastou tanto com comida e, paradoxalmente, nunca se comeu tão mal. Produtos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura de baixa qualidade e aditivos químicos, muitas vezes custam mais caro do que alimentos simples e tradicionais. Refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos e refeições prontas pesam no orçamento e, ainda assim, seguem sendo escolhas frequentes. Não porque sejam mais baratos, mas porque foram vendidos como práticos, saborosos e “normais”.

A desinformação criou uma inversão perigosa de valores. Alimentos básicos como arroz, feijão, ovos, frutas, verduras e legumes passaram a ser vistos como “comida simples” ou “sem graça”, enquanto produtos industrializados ganharam status de refeição. O marketing fez seu papel: embalagens bonitas, promessas de saúde, praticidade e felicidade. O prato foi sendo montado mais pelo rótulo do que pela necessidade do corpo.

O resultado dessa equação aparece nos números crescentes de obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas intestinais — inclusive em populações que, teoricamente, não passam fome. Come-se muito, mas se nutre pouco. O corpo recebe calorias, mas carece de vitaminas, minerais e proteínas de qualidade.

Comer melhor não significa comer caro. Significa fazer escolhas mais inteligentes, resgatar alimentos de verdade e entender que saúde começa no prato. Informação empodera. Quando a população entende o que come e o que isso provoca no corpo, o comportamento muda. O problema não é o dinheiro que falta — é o conhecimento que nunca chegou.

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*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1