A musculação é uma das atividades físicas mais seguras, controláveis e adaptáveis que existem. Diferente de esportes coletivos, corridas em alta intensidade ou atividades com impacto, a musculação permite controle preciso das variáveis do treinamento, como carga, volume, intensidade, amplitude de movimento, velocidade de execução e intervalos de recuperação.
Por isso, a suspensão total da musculação só deveria ocorrer em situações extremas, quando há uma contraindicação absoluta, como instabilidades clínicas graves, cirurgias recentes sem liberação médica, infecções sistêmicas ou condições em que o esforço físico realmente represente risco iminente.
No entanto, na prática, o que se vê é o contrário.
A grande maioria dos médicos, por ter apenas um conhecimento superficial sobre treinamento físico, acaba proibindo a musculação de forma automática e genérica, sem considerar as possibilidades de adaptação do treino.
É comum, por exemplo, um cliente apresentar uma lesão ou restrição em membros inferiores e receber a orientação: “Suspenda a academia.”
Isso é um erro conceitual grave.
Na maioria dos casos, bastaria suspender ou adaptar os exercícios para pernas, mantendo o treinamento de membros superiores, core, exercícios respiratórios e até trabalhos de mobilidade e alongamento.
Ou seja, não haveria nenhuma necessidade de interromper completamente a prática da musculação.
Quando o treino é bem prescrito por um Profissional de Educação Física, é possível: retirar exercícios específicos, reduzir cargas, limitar amplitudes ou controlar a intensidade.
Paradoxalmente, ao proibir a musculação de forma indiscriminada, muitos médicos acabam mais atrapalhando do que ajudando. A suspensão total do exercício leva à perda de força, piora da função, aumento da dor crônica, piora metabólica e redução da qualidade de vida.
A musculação não é o problema. O problema é a falta de conhecimento sobre como prescrevê-la, adaptá-la e utilizá-la como ferramenta terapêutica.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1