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Colunista José Trabulo Júnior
José Trabulo Júnior.
GP1

Fadiga de material

Os maiores publicitários aprenderam que marcas fortes não sobrevivem insistindo na mesma mensagem.

A engenharia ensina uma lição que a política frequentemente esquece.

Existe um fenômeno chamado fadiga de material. Uma peça não quebra porque sofreu um único esforço. Ela rompe porque foi submetida ao mesmo esforço inúmeras vezes. Aos poucos, surgem pequenas fissuras invisíveis. A resistência diminui. Até que chega o dia em que aquilo que parecia sólido simplesmente não suporta mais o peso.

Na comunicação acontece exatamente o mesmo.

Uma imagem pode ser forte. Um slogan pode emocionar. Um líder pode inspirar. Mas nenhum deles é infinito.

Toda mensagem tem um prazo de validade.

Na publicidade, isso é conhecido há décadas. Grandes marcas mudam campanhas antes que o consumidor se canse delas. Renovam cores, linguagem, personagens e narrativas. Não porque a campanha anterior fosse ruim, mas porque o excesso de repetição transforma impacto em rotina.

A política, porém, costuma cometer o erro oposto.

Quando a popularidade começa a cair, muitos acreditam que a solução é aparecer mais. Mais entrevistas. Mais vídeos. Mais inaugurações. Mais discursos. Mais propaganda.

É justamente nesse momento que nasce a fadiga de material.

O problema deixa de ser a qualidade da comunicação.

O problema passa a ser o excesso dela.

O eleitor continua vendo a mesma pessoa, ouvindo as mesmas frases, recebendo as mesmas promessas e assistindo ao mesmo roteiro. O cérebro humano reage da forma mais previsível possível: deixa de prestar atenção.

Não por ódio.

Não por perseguição.

Mas por saturação.

A história demonstra que isso não escolhe partido nem ideologia.

Fernando Henrique Cardoso enfrentou o desgaste natural após dois mandatos.

Luiz Inácio Lula da Silva alternou períodos de enorme aprovação e intensa rejeição ao longo de sua trajetória.

Dilma Rousseff viu sua imagem se deteriorar rapidamente durante uma grave crise política.

Jair Bolsonaro também experimentou como a exposição permanente pode ampliar o desgaste perante parte do eleitorado.

No exterior, a história se repetiu com Margaret Thatcher, Nicolas Sarkozy, Boris Johnson e tantos outros líderes que descobriram que tempo demais sob os holofotes cobra um preço inevitável.

Nenhuma estratégia de comunicação vence o desgaste quando ela substitui resultados.

Nenhuma campanha consegue transformar repetição em novidade.

Nenhum marketing faz o público sentir pela centésima vez a emoção que sentiu na primeira.

Os maiores publicitários do mundo aprenderam que marcas fortes não sobrevivem insistindo na mesma mensagem. Elas sobrevivem sabendo a hora de mudar.

Na política, a lógica é idêntica.

O eleitor pode até esquecer um slogan.

Mas nunca deixa de perceber quando a propaganda começa a repetir aquilo que a realidade já não confirma.

Porque a fadiga de material não destrói apenas estruturas.

Ela também desgasta narrativas.

E quando isso acontece, não é a oposição quem derrota uma imagem.

É o próprio tempo.

José Trabulo Júnior é consultor de marketing político, jornalista, cientista político, publicitário.

E-mail: [email protected]

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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