Quem trabalha ou acompanha campanhas eleitorais já percebeu que o marketing político mudou de forma profunda nos últimos anos. A inteligência artificial deixou de ser uma curiosidade ou tendência distante e passou a ocupar o centro das estratégias eleitorais. Eu mesmo, observando campanhas pelo Brasil e no exterior, vi de perto essa transformação.

A inteligência artificial hoje permite algo que, há pouco tempo, parecia impossível: entender o humor do eleitorado em tempo real, personalizar mensagens para públicos muito específicos e automatizar a produção de conteúdos sem perder qualidade. Mas para explicar isso de forma mais clara, é importante falar de um conceito-chave nesse processo: o machine learning.

Machine learning, ou aprendizado de máquina, é uma forma de inteligência artificial onde os sistemas são treinados para aprender com dados, sem depender de regras fixas programadas por humanos. Funciona mais ou menos assim: você alimenta o sistema com informações — como pesquisas de intenção de voto, comportamento nas redes sociais e dados demográficos — e ele começa a identificar padrões por conta própria. Com isso, a tecnologia consegue prever comportamentos do eleitorado, apontar quais temas geram mais interesse ou rejeição, e até sugerir qual tom de comunicação deve ser adotado.

Isso já está acontecendo nas campanhas que observamos. As equipes não dependem mais só de pesquisas tradicionais para saber o que o eleitor pensa. Usando inteligência artificial, é possível captar reações quase instantaneamente. Uma entrevista de TV, um post polêmico, um vídeo de campanha — tudo é monitorado em tempo real, com leitura automatizada de sentimentos e tendências.

Outra mudança clara está na personalização. A inteligência artificial ajuda a dividir o eleitorado em grupos muito específicos, indo além do velho “jovens, adultos e idosos” ou “homens e mulheres”. As mensagens são adaptadas para cada grupo: seja na linguagem, na imagem, ou até no tipo de promessa que ganha mais destaque.

Por fim, existe o uso da IA para gerar conteúdos. Ferramentas como ChatGPT ou plataformas de IA generativa produzem textos, vídeos, imagens, roteiros. Isso dá às campanhas mais velocidade e volume de produção — mas exige também responsabilidade. Porque quanto maior a capacidade de falar com o eleitor, maior o risco de abusar da ferramenta para manipular ou distorcer informações.

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Minha visão é a seguinte: a inteligência artificial é hoje uma realidade no marketing político e não tem mais volta. Mas ela não substitui estratégia, ética e bom senso. No fim das contas, a tecnologia é só uma ferramenta. O que continua contando é quem está por trás, tomando as decisões e respeitando o eleitor.

Esse é o ponto que, na minha experiência, nunca pode ser esquecido. Política se faz com inteligência, mas também com responsabilidade.

José Trabulo Júnior é consultor de marketing político, jornalista, cientista político, publicitário, escritor e palestrante, abordando atualmente o tema: “Narciso, a cultura do espelho”, título de seu novo livro, com lançamento previsto para outubro de 2025. Possui MBA em Gestão, Empreendedorismo e Marketing; pós-graduação em Gestão, Governança e Setor Público; pós-graduação em Novas Tecnologias, Transformação Digital e Agilidade; pós-graduação em Ciências Humanas: Sociologia, História e Filosofia; e pós-graduação em Comunicação Eleitoral e Marketing Político.

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