O vereador Joaquim Caldas , eleitoralmente conhecido como Joaquim do Arroz, do PT, é o presidente da Comissão de Finanças, Orçamento, Fiscalização Financeira e Ordem Econômica da Câmara de Vereadores de Teresina. Ele é o “relator dos relatórios do TCE” e afirmou à TV e ao portal GP1 que os relatórios que fez são “ipsis litteris” aos do TCE, propondo a reprovação das contas do Dr. Pessoa .
Na terça-feira vindoura, conheceremos o “X” da questão no plenário do Legislativo teresinense. Como votarão os parlamentares: pela reprovação ou aprovação dos relatórios do TCE e do vereador Joaquim Caldas, o Joaquim do Arroz? O certo é aguardar para vermos no que vai dar.
Panorama da Câmara de Teresina
Na Câmara de Vereadores de Teresina , tudo segue tal qual “água de poço”. Tatiana Medeiros continua vereadora em prisão domiciliar e remunerada como se estivesse exercendo o mandato. O prazo para o término da Comissão Parlamentar de Inquérito do Lixo foi esticado por mais 60 dias. A Comissão Parlamentar de Inquérito do Déficit Financeiro, a famosa CPI “do rombo financeiro”, ainda está no limbo e, por último, nesta quarta-feira, 15 de outubro, o presidente da Câmara de Vereadores, vereador Enzo Samuel, do PDT, adiou para a próxima terça-feira, 21 de outubro, a votação em plenário dos relatórios do Tribunal de Contas do Estado sobre as prestações de contas da gestão do ex-prefeito de Teresina, o médico e professor da UFPI, José Pessoa Leal, o Dr. Pessoa.
Dr. Pessoa nega envolvimento em irregularidades
Dr. Pessoa jura de pés juntos que não tem nada a ver com as traquinagens feitas por Sol Pessoa e outros ex-assessores dele quando exerceu o cargo de prefeito de Teresina, de 1º de janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2024. Até agora, todos os denunciados por corrupção na gestão dele têm o sobrenome “Pessoa”, mas ele nega, “sem piscar”, que seja nem “parente nem aderente dos investigados”.
Filiações partidárias e trajetória política
José Pessoa Leal, o Dr. Pessoa, de 1980 a 2024, conseguiu ser filiado a 11 partidos, pela ordem: PMDB, PDS, PPR, PPB, PPS, PDT, PDS, Solidariedade, MDB, Republicanos, e deixou a Prefeitura estando filiado ao PRD.
Natural de São Pedro do Piauí, Dr. Pessoa foi candidato a prefeito de Água Branca em 1988 pelo PMDB, mas perdeu a eleição. Pelo mesmo partido, também não logrou êxito em 1996, quando concorreu à Prefeitura de Lagoinha do Piauí.
Disputas e vitórias políticas
Tendo sentido por duas vezes as presas “da porca” em disputas por prefeituras, o médico José Pessoa Leal pleiteou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Piauí em 1990, pelo PDS, mas foi devorado pela “porca”. Em 2000, a sorte sorriu para o doutor Pessoa e, pelo PPS, foi eleito vereador de Teresina. Ainda no PPS, e tinhoso que só ele, tentou de novo uma vaga na Assembleia, ficou de fora, mas foi reeleito vereador de Teresina pelo PDT em 2004 e 2008. Do PDT, doutor Pessoa migrou para o PSD e conseguiu continuar a ser vereador de Teresina em 2012.
Em 2014, os ventos do médio Parnaíba sopraram a favor, e Dr. Pessoa foi eleito deputado estadual, também pelo PSD. Em 2016, doutor Pessoa tentou um voo alto, o de ser prefeito de Teresina, e foi derrotado por Firmino Filho. Em 2018, almejou um feito ainda maior, se candidatando ao Governo do Estado, mas foi peitado por Wellington Dias e voltou ao solo.
Ascensão a prefeito de Teresina
Em 2020, José Pessoa Leal assinou ficha de filiação ao MDB e, por teimosia do presidente municipal da legenda, o então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho, foi o candidato da legenda a prefeito de Teresina. Foi eleito. Picado pela “mosca azul”, doutor Pessoa deu uma patada que pavimentou as vereadas pela chapada do Corisco para chegar ao Palácio da Cidade, em frente ao “marco zero” da capital piauiense, na Praça da Bandeira.
Envaidecido e repleto de soberba, no cargo de prefeito, Dr. Pessoa largou o MDB e atirou-se de corpo e alma ao Republicanos, que também dispensou, e terminou o mandato acomodado no PRD.
Questionamentos sobre a gestão
A alegada inocência do ex-prefeito Dr. Pessoa, mediante as traquinagens das quais são acusados integrantes do séquito que o assessorou diretamente enquanto foi prefeito de Teresina, deve ser provada “por A mais B” perante as polícias que investigam as denúncias, o Tribunal de Contas do Estado, a Câmara de Vereadores de Teresina e a Justiça.
Já diziam os mais velhos lá em São Pedro do Piauí, município do qual foi desmembrado Água Branca: “toda criatura que se volta contra o criador tropeça na carreira e se esbagaça no chão”.
Cenário político estadual
A oposição aos ocupantes do Palácio de Karnak, mais precisamente Margarete Coelho , do PP, e Toni Rodrigues , do PL, que tencionam substituir o atual governador do Piauí através da eleição em 4 de outubro de 2026, têm aumentado geometricamente críticas e denúncias contra o chefe do Executivo, Rafael Fonteles . Mas, quanto mais a oposição emite críticas e dispara denúncias, as pesquisas de intenção de votos divulgadas por veículos de comunicação apontam que o Palácio de Karnak continuará com o mesmo inquilino em 2027. Os opositores aos “rafaboys” duvidam das pesquisas e as colocam em descrédito, alegando que são “matematicamente e estatisticamente adulteradas”.
Enquanto isso, os partidos da base aliada — PT, PSD e MDB — vão fechando o cerco visando a reeleição do governador Rafael Fonteles, do PT; a reeleição do senador Marcelo Castro, do MDB; a eleição do deputado federal Júlio César para o Senado; e a conquista de 80% das cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Dica de leitura
Domingo, dia 19, dia do Piauí... Para estes dias, segue a sugestão de leitura; o livro: Vaqueiro e Visconde, do oeirense José Expedito Rêgo, retratando a vida de Manoel de Sousa Martins, o Visconde da Parnaíba; que governou o Piauí por 20 anos , de 1823 a 1843...
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1