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*Por Deusval Lacerda

Imagem: Divulgação/GP1Clique para ampliarDeusval Lacerda de Moraes (Imagem:Divulgação/GP1)Deusval Lacerda de Moraes
A imprensa divulgou recentemente que os estados do Piauí, Tocantins e Maranhão tiveram a maior variação no componente educação do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 1991 a 2010. E que o Piauí e o Maranhão registraram variações de pouco mais de 78% e o Tocantins apresentou índice de 89% em vinte anos. Os três estados ocupavam as últimas posições do ranking nacional em 1991. Agora, o Tocantins passou para a 14ª posição, o Piauí subiu uma, ou seja, foi para a 25ª, e o Maranhão, que estava em última posição, passou para a 19ª.

Apesar de algumas autoridades estaduais comemorarem os índices educacionais apresentados pelo Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013, elaborados pelo Programa das Nações Unidas para o País, no Piauí o crescimento foi modesto e ainda continua sendo um dos estados problemáticos em educação, por ainda abrigar as últimas posições. Houve avanço, mas precisa fazer muita coisa ainda para capitalizar ganhos educacionais para evoluir social, cultural e economicamente.

O governador do Estado disse que esse crescimento mostra que a ação para o desenvolvimento e para a inclusão do Governo do Piauí está surtindo efeito. Segundo ele, o resultado mostra que o Piauí tem se diferenciado dos demais estados pela política transformadora que dá um ritmo de desenvolvimento social mais intenso. Ocorre que o período analisado não corresponde ao seu mandato, por ter sido de 1991 a 2010, assim foi ação de governos antecessores.

Pois se sabe que o governador ao assumir a administração estadual na condição de vice-governador em abril de 2010, cuidou da sua reeleição – época, inclusive, que ficou conhecido como Tratorzão – e pouco da educação do Piauí. E depois de vinte anos o Estado subiu uma posição no ranking brasileiro, o que sinaliza que nos seus nove meses de 2010, o último ano pesquisado, não influíram nessa melhoria. Depois, falar em política educacional transformadora é falácia, senão o Piauí estaria entre os estados mais avançados do País também em outros campos da atividade pública.

O ufanismo do Secretário da Educação também é exagerado. Pois se fizer uma real avaliação da sua atuação, a realidade é bem diferente. Por exemplo, o ano de 2011 foi uma tragédia para a UESPI, pois a sua estrutura chegou ao fundo do poço. No dia 12 de maio iniciou uma greve geral que gerou o movimento SOS UESPI, que pedia socorro para manter as condições mínimas de funcionamento. O Jornal O Globo de 29 de dezembro de 2011 informou: “Improviso nas salas de aula. No Piauí, professores de química lecionam matemática e física”. E ainda disse: “No Piauí, educadores lecionam em várias áreas e alunos recebem notas, mesmo sem ter aulas. Parte dos 400 estudantes da unidade escolar governador Alberto Tavares Silva, no Conjunto Morada Nova, em Teresina, teve notas de matemática atribuídas por avaliação pessoal e comportamento”. Por não fazer o elementar, o Piauí foi o segundo colocado no ranking do atraso escolar do País, ficando à frente apenas do estado do Pará (Jornal Diário do Povo de 15 de julho de 2011). Além de insistentemente confundir escola em tempo integral com a ampliação de jornada do Programa Mais Educação.

E o ano de 2012 também começou como um pesadelo para a UESPI, pois na madrugada de 5 de janeiro o teto da biblioteca do campus Torquato Neto desabou, destruindo 20% das suas instalações. Ainda em 2012, alarmado com o caos estabelecido nos prédios da educação estadual, o colunista Pedro Alcântara disse: “No Piauí, só cai obra pública. Caiu o teto de uma escola no Parque Piauí, desabou o teto da UESPI em Picos, caiu o teto de uma escola em Campo Maior; o muro de uma escola desabou no bairro Monte Castelo e matou uma criança. O muro do colégio Álvaro Ferreira foi ao chão no bairro Piçarra. Agora caiu o teto da biblioteca da UESPI em Teresina” (Jornal Diário do Povo de 8 de janeiro de 2012).

Igualmente em 2012, o IPEA publicou o estudo “Presença do estado no Brasil: federação suas unidades e municipalidades” em que a evasão escolar do ensino médio do Piauí é uma das maiores do Brasil, pois 60,1% dos jovens de 15 a 17 anos deixam a escola antes de completar esse nível de ensino (Jornal Diário do Povo de 11 de janeiro de 2012). O coordenador do grupo Dever de Classe, professor Landim Neto, denunciou que nesse ano letivo foram fechadas 18 escolas das 246 escolas fechadas total ou parcialmente ao longo do tempo (Jornal Diário do Povo de 1º de agosto de 2012).

Ato contínuo, o Ministério da Educação divulgou que o ensino médio do Piauí ficou com nota 3,2, isto é, 0,5 abaixo da nota 3,7 da meta estipulado pelo IDEB (Jornal Diário do Povo de 15 de agosto de 2012). Isso sem se falar nos spray de pimenta que atingiram os olhos dos professores ao redor do Karnak em abril de 2012 na greve para tentar impedir o fim do piso salarial da categoria aprovado pelo Congresso Nacional e o fim da regência aprovada desde os anos 1970. Enfim, é como diz o professor da UFPE Mozart Neves Ramos do Conselho Nacional de Educação: “o Brasil tem hoje uma escola pública do século 19 e um professor do século 20 para um aluno do século 21”.

*Deusval Lacerda de Moraes é Pós-Graduado em Direito


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