Blog Opinião
GP1

A primeira vez ninguém esquece


Imagem: GP1Clique para ampliarArthur Teixeira Júnior(Imagem:GP1)Arthur Teixeira Júnior
* Por Arthur Teixeira Júnior

Este é um velho bordão, remonta dos tempos de minha avó. Já foi inclusive explorado pela publicidade. Os mais velhos certamente lembram-se da propaganda da “Valisère” com a jovem adolescente encabulada, que hoje deve estar mais velha do que eu.

Lembro-me da primeira namorada, ainda nos bancos da “Nossa Escolinha”, em São Paulo. Meu primeiro beijo... na irmã da Doralice. Meu primeiro porre, que creio ter sido aquele com conhaque Dreher ainda no colegial. Lembro-me de outras primeiras vezes, mas ficaria enfadonho, já que para tudo na vida existe uma primeira vez.

O mais trágico certamente foi o primeiro chifre, previsto pela Madalena e promovido pela Jéssyca em parceria com o garçom que tínhamos em nosso restaurante. Trocado por um garçom. Tá certo que era 35 anos mais jovem, mas não justifica. Enquanto ela traia-me com o garçom, sua melhor amiga Marina traía seu correspondente marido com o verdureiro da cidade. Saiam juntas para “caminhar” e descaminhavam enquanto os maridos trabalhavam. Coisas da vida.

O homem que diz nunca ter sido traído é desinformado ou tem pouca memória. Não importa se foi em um namoro na escola, em um noivado já no final da faculdade, na véspera do casamento ou na vigência deste. Chifre é chifre e ponto final. Não é somente uma coisa que lhe colocam na cabeça, é algo que o atormentará pelos demais dias de sua chifruda vida.
Mas alguém aí já parou para pensar porque o traído é chamado de chifrudo? E porque só a mulher coloca chifres no marido, mas o marido quando mantém uma filial, dizem que ele “trai a esposa” e não “chifra a esposa”?.

Minha avó (de novo ela - deve estar pensando em mim. Vou acender uma vela) dizia que era uma alusão ao Demônio, o chifrudo mor. Mas se assim fosse, todo chifrudo também seria rabudo, o que não é o caso. Tia Lucila dizia que era uma alusão ao boi (daí o porquê da traidora ser chamada comumente de “vaca”), já que sua fêmea mantém relacionamentos carnais com diversos machos do rebanho.

Mas pesquisei (chifrudo pesquisando sobre chifre) e descobri a origem correta da expressão “colocar chifre”. Tem origem legal (no sentido de Lei), pois advém do antigo Código Filipino de 1603 que determinava que todo o marido traído matasse o “sócio” de sua adúltera mulher (desde que o adúltero não fosse um nobre) ou, caso recusasse a fazê-lo, seria obrigado a usar em público um chapéu ornado com dois enormes chifres, para que todos soubessem que o traído não honrou sua condição e prerrogativa de homem.

Se tal prática fosse adotada por estas bandas, iria ser uma tragédia. Imaginem uma fila de banco com um monte de chifrudos entrelaçando as galhas. E no elevador? No cinema, ninguém mais assistiria nada e seria impossível andar em ônibus lotado.

Mas vamos deixar o chifre de lado (como se possível fosse) e vamos voltar ao tema desviado.
Ontem, no supermercado, notei que duas jovens, pouco mais do que adolescentes, olhavam-me e cochichavam com insistência. Dava a impressão de que uma tinha uma opinião ao meu respeito com a qual a outra discordava. Rapidamente, chequei se não estava com a bunda molhada, com a braguilha aberta ou um cartaz sorrateiramente pregado em minhas costas. Nada. Até que criaram coragem e se aproximaram, titubeantes:

_ Com licença, o Senhor não é o Arthur? – fazendo olhar de pesquisa e interrogação.
Rapidamente o meu célebro começou a buscar informações de onde eu conheceria aquelas duas, ou uma delas sequer. Embora belas, eram muito jovens para que tivéssemos tido um encontro fortuito. Seriam filhas de algum desafeto? De algum credor ? Cabeça de velho é uma merda, não funciona direito mesmo. Só serve para carregar chapéu e chifre (não vamos voltar a este assunto ...).

-Sim ... – balbuciei, preparando-me para uma reação raivosa das interlocutoras.

-Eu sabia – sorriu triunfante uma delas – logo o reconheci! Lemos sempre suas crônicas. Daria para o nos dar um autógrafo?

Era minha primeira vez. Uma emoção indescritível. Pela primeira vez alguém pedia meu autógrafo em algo que não fosse uma intimação ou aviso de cobrança. Paguei minhas compras sorridente, embora o preço no caixa não fosse o mesmo que estava na etiqueta da gôndola. Nem liguei com a falta de troco. Meu carro tinha sido riscado no estacionamento, coisas que acontecem. Alguém estacionou defronte a entrada de minha garagem, não faz mal, estaciono do outro lado da rua. Minha mulher não estava em casa, foi ao cabeleireiro pela terceira vez somente nesta semana. Êpa, outra vez não. Fui atrás.

Curta a página do GP1 no facebook: www.facebook.com/PortalGP1

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2022 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.