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Cada macaco no seu galho


*Arthur Teixeira Júnior

Imagem: GP1Arthur Teixeira(Imagem:GP1)Arthur Teixeira
Leio aqui no noticiário nacional que o Ministério Público de Minas Gerais sugeriu que a Fundação Zoo Botânico de Belo Horizonte suspendesse a eleição para escolha do nome do recém nascido Gorila naquela entidade.

Explicando melhor: nasceu naquele Zoológico o segundo filhote de gorila concebido em cativeiro na América do Sul. A Administração resolveu então que o nome do bichinho fosse escolhido em votação popular, provavelmente para aumentar a divulgação do fato e atrair mais público à suas instalações. Indicou para a escolha três nomes inspirados na cultura africana (Continente original destes animais): “Ayo”, que significa “felicidade”, “Bakari”, “o que terá sucesso” e “Jahari”, cujo significado é “jovem forte e poderoso”.

Então entra em cena uma obscura ONG, até então somente conhecida por seus idealizadores e financiadores, auto denominada “Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural – INSOD”, seja lá o que isto signifique. Pois com o mesmo intuito de chamar a atenção, desta feita de forma menos nobre, estes desconhecidos provocaram o Ministério Público que “entrou na onda” e acabou “pagando o mico” (com o perdão do trocadilho) quando ocasionou o cancelamento da consulta popular, sob o argumento que a escolha destes nomes iria favorecer o racismo.

Em um país com tantos problemas estruturais, com tantos desmandos, corrupção, desvios de conduta patrocinados por agentes públicos, com Leis defasadas, Entidades falidas, Judiciário abarrotado e com servidores desmotivados, enfim, tanto com que se preocupar, e um Procurador pago com nosso dinheiro se dá ao trabalho de interferir em tão hilária questão. Não teria mais o quê fazer?

Pois sugiro então a substituição dos nomes para “Bola de Neve”, “Lorinho da Mamãe” e “Iogurte Natural”.

Fazer de pequenos casos um cavalo de batalha é típico dos incompetentes, que objetivam desviar a atenção do público de sua própria ineficiência. Lembro-me de um caso onde um zelador de uma Administradora de Cartões de Crédito sofreu uma severa investigação conduzida por uma Comissão Inquiridora que culminou em uma “exemplar punição” por ter esquecido um saco de lixo em um dos elevadores (aliás, o único que estava funcionando naquele dia). Mas depois de algumas semanas, uma pane no sistema de informática pulverizou uma enorme quantidade de dados que estavam armazenados em seus computadores. Quando foram recorrer ao “back-up”, aquele procedimento que qualquer idiota faz em seus armazenadores de dados, descobriram que não havia back-up. Milhares de dados e contas foram perdidas, um prejuízo incomensurável, algo que talvez jamais possa ser recuperado.

Em conseqüência, nada foi feito, ninguém foi convidado a dar explicações do porquê da falha ou mesmo o que poderia ser feito para que tal tragédia não se repetisse. Os clientes não foram informados de nada, assim como os lojistas e correntistas. Sequer comentaram oficialmente o ocorrido. Os funcionários desdobram-se para recuperar o que foi perdido e para dar explicações a algum usuário que percebeu que suas movimentações financeiras sumiram.

É fácil tratar de pequenos problemas e deles fazer um exercício de pirotecnia. O difícil é enfrentar questões complexas e estruturais. Estas, a solução mais fácil é empurrar para debaixo do tapete.

Há um mês desvio quilometros de meu itinerário corriqueiro para adquirir o pão nosso de cada dia em um determinado estabelecimento, objetivando simplesmente convencer a simpática e descomprometida atendente a dar-me uma oportunidade de demonstrar minhas qualidades. Tudo em vão. A dita balconista está arrasando minha auto estima. Mas água mole...

*Arthur Teixeira Júnior é colaborador

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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