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Teresina - Piauí

Saiba quem é o foragido da Operação Reset acusado de cancelar multas na Strans

Contra ele foram expedidos dois mandados de busca, além de um mandado de prisão temporária.

O ex-gerente de Gestão de Trânsito da Strans, Lucas da Rocha Lima, alvo de mandado de busca e apreensão e de prisão temporária na Operação Reset, não foi localizado pelo Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR) e passou a ser considerado foragido. Ele, segundo a investigação da Polícia Civil, atuou diretamente no cancelamento ilegal de 1.628 multas no período entre fevereiro e junho de 2024, durante a gestão do ex-superintendente do órgão, Bruno Pessoa, sobrinho do ex-prefeito da capital, Dr. Pessoa.

Em entrevista coletiva, o delegado titular da DECCOR, Ferdinando Martins, afirmou que havia dois mandados de busca em desfavor de Lucas da Rocha, além de um mandado de prisão temporária, que não foi possível ser cumprido no momento da deflagração da Operação Reset.

Foto: GP1Lucas da Rocha Lima
Lucas da Rocha Lima

“O Lucas da Rocha está foragido e contra ele há um mandado de prisão temporária. A gente está no encalço para prendê-lo. Agora, a gente vai analisar o material da gestão do Lucas, arrecadar e tentar identificar essas ordens, o relacionamento desse grupo para aprofundar os trabalhos e, se for oportuno, instaurar um novo para identificar a dinâmica desses fatos”, disse o delegado Ferdinando Martins.

Foto: Lucas Dias/GP1Delegado Ferdinando Martins
Delegado Ferdinando Martins

Segundo a investigação, na função de gerente de Gestão de Trânsito, Lucas da Rocha Lima excluiu 1.628 multas, causando um prejuízo ao erário na ordem de R$ 367.486,64, representando 73% do valor total das multas canceladas. As infrações suspensas por ele afastaram 9.046 pontos das habilitações dos proprietários/motoristas envolvidos.

Segundo a Polícia Civil, Lucas da Rocha excluiu multas, inclusive, fora do seu horário de expediente, acessando-o deliberadamente. Ao todo, foram 419 cancelamentos de multas fora do expediente – 17% do total dos cancelamentos. O levantamento ainda mostrou que desse total, 49 cancelamentos feitos por Lucas resultaram de processos sem qualquer pedido formal para tanto.

Como funcionava o esquema

A partir do relatório produzido pela gestão do coronel Edvaldo Marques, que foi obtido pela reportagem da jornalista Thais Guimarães, em 30 de abril deste ano, o Departamento de Combate a Corrupção identificou três servidores (Lucas da Rocha, que era comissionado, e dois terceirizados), que davam o “reset” nas multas, que eram canceladas sem respeitar nenhum procedimento legal.

Ao longo da investigação, a Polícia Civil concluiu que os dois servidores terceirizados eram peças menores e agiam sob ordens superiores, inclusive, ao perceberem a situação, tentaram sair do setor onde atuavam, mas os chefes imediatos não permitiram. Em razão da colaboração, os dois servidores terceirizados não foram alvos de representação de medidas cautelares.

Atuação do ex-superintendente Bruno Pessoa

A investigação da Polícia Civil concluiu que todo processo regular de cancelamento das multas deveria ter um trâmite, um fluxo com a decisão final do superintendente Bruno Pessoa, autorizando o cancelamento/baixa das multas do sistema, fato que não ocorreu nas multas canceladas.

Foto: Alef Leão/GP1Bruno Pessoa, superintendente da Strans
Bruno Pessoa, ex-superintendente da Strans

Para a Polícia Civil, como superintendente do órgão até janeiro de 2024, ficou evidente que há indícios claros de que Bruno Pessoa participou das fraudes.

Ex-superintendente teve multa cancelada

Em 08 de maio de 2024, o veículo modelo VW Taos, de propriedade de Bruno Pessoa, foi autuado por estacionar em local proibido. No entanto, menos de um mês da autuação, o auto de infração foi cancelado também por Lucas da Rocha em 05 de maio de 2024, beneficiando o então superintendente Bruno Pessoa.

Daniel Lima Araújo também foi beneficiado

Durante a investigação, a Polícia Civil atestou que a esposa do então gerente de fiscalização de trânsito da Strans, o proprietário/motorista de um veículo modelo VW Gol, foi autuada por não utilizar o cinto de segurança na condução do automóvel. Dois meses depois, em 17 de maço, 2024, tal multa foi cancelada por Lucas da Rocha. Para a polícia, Lucas agiu cumprindo ordens de Daniel, para remover a multa da sua própria esposa do sistema.

Foto: TV Santos PiauíDaniel Lima Araújo, vice-presidente da FFP
Daniel Lima Araújo

Para a Polícia Civil, o cancelamento das multas ocorreu deliberadamente para beneficiar um seleto e privilegiado grupo de motoristas infratores, de tudo tendo ciência e participação os gestores e dirigentes da STRANS, Lucas da Rocha Lima, Daniel Lima Araújo e Bruno Migliano Pessoa.

Tanto Bruno Pessoa como Daniel Lima Rocha terão que utilizar tornozeleira eletrônica por determinação da Justiça.

Prejuízo ultrapassou meio milhão de reais aos cofres públicos

A Polícia Civil apontou que o esquema de corrupção causou um prejuízo estimado de R$ 503.210,17 (quinhentos e três mil, duzentos e dez reais e dezessete centavos) aos cofres públicos.

Sem multas, os veículos ficam “limpos”, permitindo que pudessem ter o licenciamento anual em dia, o que, para a Strans, constitui em obstrução no trabalho da Justiça, que passa ter dificuldades de fazer a apreensão desses veículos em operações de trânsito.

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