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A anarquia dos Black Blocs


Imagem: GP1Clique para ampliarJúlio César Cardoso(Imagem:GP1)Júlio César Cardoso
O deputado estadual Volnei Morastoni (PT-SC) escreveu o artigo “Black Bloc: é preciso combater a intolerância” e fez o seguinte comentário: “Os governos federal, estaduais e municipais, o legislativo e o judiciário precisam unir forças para coibir essa onda de violência”. Com efeito, o país precisa unir forças para combater não somente as manifestações irracionais dos black blocs, mas também a violência da bandidagem em geral que tomou conta do país a ponto de o brasileiro não ter mais segurança de ir e vir ou se sentir seguro com a sua família em casa.

Quem são os responsáveis pelos desencantos e decepções do povo brasileiro, cansado de assistir à banda podre política e governamental desfilar com o rosto sórdido de mentiras de que está trabalhando pelo social, se a verdadeira realidade nacional é bem diferente daquela ilusoriamente passada à comunidade internacional como país da Copa que combate as suas diferenças sociais? A resposta é simples: os responsáveis são os governos, principalmente o federal, e a corja de políticos brasileiros, que só sabem mamar nas tetas das benesses públicas, só cuidam de seus interesses políticos e de suas reeleições, não se preocupam, por exemplo, com o estado deplorável das condições de sucata dos transportes urbanos de passageiros, não fiscalizam as ações do Executivo de forma apartidária, não exigem o cumprimento substantivo de investimento constitucional em educação pública de qualidade, em assistência médica e hospitalar pública de dignidade humana às camadas mais necessitadas, em segurança pública para proteger o cidadão etc. Enquanto isso, Lula e Dilma Rousseff, com o dinheiro dos contribuintes, vão se tratar no hospital elitizado Sírio-Libanês.

Até o período dos militares no poder, o país respirava clima total de segurança pública e continuou mais ou menos assim até fins do governo FHC. Com o advento de era petista, o país se transformou num estado de anarquia, como os movimentos violentos, por exemplo, dos Sem-Terra, financiados pelo próprio governo federal, desrespeitando as propriedades particulares, enquanto a tal de reforma agrária não passou de uma jogada política do PT para abiscoitar votos dessa gente.

Transcrevo aqui parte de artigo da escritora Lya Luft para corroborar a minha posição: “... A democracia, nosso fundamento, é difícil. Vivemos num estado de anarquia, pronunciou-se uma desembargadora. E queimam-se ônibus a torto e a direito: porque falta luz, água; porque as inundações são rotina e novamente perdemos tudo; porque esperamos horas com filho febril no colo e não somos atendidos; porque a condução é péssima; porque alguém foi morto; porque alguém foi preso; ou simplesmente porque perdemos a paciência. Fica a indagação: por que destruímos tantos ônibus, prejudicando o já tão maltratado povo? O que haverá por trás disso?...”

O país é o reflexo da incompetência de um governo, que, há mais de 10 anos no poder, só soube arrumar a casa para a sua corrupção política e eis os condenados pelo STF, para fazer politicagem, bem como para tratar de sua reeleição sem se preocupar com as reais necessidades de sua população: educação, saúde, segurança pública, saneamento básico, transporte descente etc.

O PT reuniu programas sociais de governos anteriores rotulando-os de Bolsa Família, para dar esmola em troca de votos a uma população carente, que se contenta com pouco e agora está inserida na estatística forjada do IBGE como integrante de classe social pujante, quando o governo deveria ter se preocupado com o investimento efetivo na produção de riquezas nacionais - o que não fez - para produzir emprego estável a toda essa gente.

Ora, se o país oferecesse melhores condições de vida para todos, o povo não estaria descontente incendiando ônibus, inexistiriam black blocs e ninguém sairia às ruas, de forma apolítica, para manifestar o seu descontentamento com a situação do Brasil. E não venham agora, de maneira demagógica e hipócrita, os representantes governistas ou simpatizantes dizer que tudo isso está ocorrendo porque o governo brasileiro respeita o Estado Democrático de manifestação. Aliás, a presidente Dilma Rousseff, como ex-subversiva comunista, não tem credencial para reprochar a atitude dos black blocs.

Um detalhe para reflexão. As atitudes violentas dos black blocs são inaceitáveis. Mas por trás deles, fomentando esses manifestantes, não está o dedo de algum partido político interessado em encontrar motivo para aprovar regras que impeçam as manifestações populares nos dias de realização dos jogos da Copa do Mundo?

*Júlio César Cardoso
Bacharel em Direito e servidor federal aposentado


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