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Não dá para entender...


*Arthur Teixeira Junior

Imagem: ReproduçãoArthur Teixeira Junior(Imagem:Reprodução)Arthur Teixeira Junior
Conheci Elma em uma destes festejos que ocorrem quase que diariamente em nossa cidade, a maioria financiada com verbas públicas que deveriam estar sendo revertidas em saúde e educação, não em circo. Fartos seios, um jeito quase angelical. Pareceu-se que seria uma tímida e comportada jovem nas festas mas uma vadia na cama. Separei-me dela após alguns meses, pois vi que era justamente ao contrário. Separei-me não. Ela fugiu com o meu salário do mês, deixando-me sem nenhuma arruela, gravemente enfermo e sem mais remédios em casa.

Certo dia, quando cheguei em casa do trabalho ela tinha ido embora, levando tudo que havia dentro de casa, inclusive suas duas filhas, as quais eu criava como se eu fosse o pai, pois o pai biológico delas não dava um só tostão para ajudar nas despesas. Antes de sair, apagou a memória do computador, deletando todas as fotos que eu tinha por anos armazenado e logicamente nunca feito backup.

Soube que na semana passada ela teve mais um filho. Ela sempre quis ter um filho para chamá-lo de “Junior”. Este, infelizmente, não será possível, pois desconhece o nome do pai. Na cidade dizem que é filho do “Tiquinho”. Não o conheço. Dizem que continua jovial, com 28 anos, três filhos, desempregada, semi analfabeta, mas agora com os seios batendo-lhe na cintura. Tem futuro. Sombrio.

Mudando de assunto:

A cadela da vizinha, ontem, latiu tanto que não pude suportar: resolvi dormir fora de casa. A poucas quadras, tem um Motel tipo “entra e sai” e foi ali que fui abrigar-me. Não ia em um Motel desde o tempo da Copa do Mundo, de 70, quando aproveitava a TV a cores instalada no quarto para ver Gerson, Pelé, Tostão e Rivelino infernizarem a zaga adversária, com ajuda de Jairzinho, o “furacão da Copa”.

O atendende-porteiro, abrigado em sua guarita, foi solícito:

“_ Pois não, o que deseja o Doutor?”

Levantou a bunda do banquinho, arregalou os olhos, ergueu o nariz e começou a tentar espiar o interior do carro, isto tudo depois de me chamar de “doutor”.

“_ O que mais podem me oferecer além de um quarto para dormir?” – perguntei em tom irônico.

Pois não é que o atendente-porteiro saiu da guarita e veio debruçar-se na minha janela, quase enfiando a cabeça toda dentro do carro e procurando não sei o quê.

“_ O doutor não importa-se de abrir o porta malas?”

Senti-me numa blitz da Polícia Rodoviária Federal.

Porta malas aberto, o porteiro atendente perguntou-me espantado:

“_ O doutor está sozinho?”
“E daí ?”, pensei, “queria que eu trouxesse a cadela da vizinha ?”.

Relutante, o indignado porteiro entregou-me uma chave.

Logo que entrei no quarto, fui logo ligando a TV, pensando em assistir um animado VT de River e Curiçabá, zero a zero. O que vi é indescritível.

O último filme mais apimentado que havia assistido, foi feito pela Vera Cruz e era estrelado por Virgínia Lani. Contentáva-nos em ver de relance no máximo quatro dedos acima do joelho. Hoje as atrizes pareceram-me mais desinibidas. Estou ficando realmente velho, pois não entendo algumas coisas:

- como pode namorar em uma escada de mármore com uma das pernas sobre o corrimão e ainda fazer cara de satisfação?

- como o tradutor consegue traduzir “zhuigf kwynt grau ufff” em uma frase com sujeito e verbo?
- como se consegue fazer tudo aquilo sem tirar os sapatos de salto alto?

- ao final do filme (sim, eu assisti ele todinho) aparecem os créditos: diretor, iluminador, câmera, etc. Mas apareceu um “figurinista”. Alguém, por favor, explique o que faz um figurinista em um filme onde todos trabalham pelados?

*Arthur Teixeira Junior é articulista e escreve para o GP1

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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