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Ser mulher e advogada


Imagem: GP1Noélia Sampaio(Imagem:GP1)Noélia Sampaio

Ao longo dos tempos tenho me perguntado o que eu seria se não fosse advogada? Talvez tivesse feito inúmeros outros cursos, mas não teria me realizado tão bem.

Dentre outros requisitos, como passar no exame da ordem, a profissão exige consciência do direito, com o fim de mitigar as desigualdades para o encontro de soluções justas, sendo que a lei é um instrumento para garantir a igualdade de todos.

Como em todas as profissões, a advocacia exige probidade, uma postura ética, o agir com zelo e o amor pela profissão, posto que o cliente deposita nesse profissional a última esperança, quando na maioria das vezes já tentou diversos modos para resolução do seu problema e se vê desamparado. Nesse contexto, eu me realizo mais ainda, pois não há felicidade maior que resolver para seu cliente uma questão jurídica e, além de tê-lo satisfeito, ter a sensação de ter sido feito justiça.

Sou de uma geração já mais avançada, que vive um processo de afirmação no mercado de trabalho, no entanto, o ato de conciliar o cuidado com filhos, com o lar e com a carreira, ainda exige de nós mulheres muita disposição e desenvoltura, porém temos conquistado nosso espaço e somos cada vez mais numerosas e representativas.

Nessa profissão a luta pela igualdade entre os sexos é de suma importância, uma vez que optamos por uma profissão historicamente dominada por homens, que até hoje carrega muito machismo em suas instituições. Não há dúvida, por exemplo, que ainda nos deparamos com imagens simbólicas de advogados bem sucedidos ou juízes em destaque, como sendo de um homem, assim, muitas vezes somos excluídas ou esquecidas do mundo do direito.

A verdade é que ganhamos campo, batalhamos e hoje há um numero significativo de mulheres atuantes no mercado, e, diga-se de passagem, em todas as áreas, e melhor ainda, com garantia de competência.

Não é fácil ser ADVOGADA, muitas vezes enfrentamos a concorrência desleal; o excesso de esperteza de alguns colegas de profissão; algumas vezes não somos compreendidos pelos clientes; em regra, o retorno financeiro não é dos mais gloriosos; nos deparamos constantemente com abusos e excessos cometidos por autoridades (ou não) e com gritantes injustiças, mas é prazeroso, é gratificante, AMO SER ADVOGADA.

Enfim, parafraseando a nossa amada Fernanda Marinela: ser mãe, mulher e advogada é padecer no judiciário!

*Noélia Sampaio é Advogada, vice-presidente da comissão de promoção da cidadania da OAB/PI.


*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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