Blog Opinião

Canal aberto para o leitor se manifestar

GP1

Jorge da Silva: exemplo de energia construtiva e de coragem cívica

Jorge da Silva faleceu há poucos dias, vítima de um câncer renal, em um dos hospitais de referência do Rio de Janeiro.

Foto: Lucas Dias/GP1Desembargador Edvaldo Moura
Desembargador Edvaldo Moura

Desembargador Edvaldo Pereira de Moura
Diretor da ESMEPI e Professor da UESPI

Intransigente defensor da desmilitarização da polícia brasileira e da segurança pública democrática, o intelectual, o Cientista Político, o Doutor em Ciências Sociais, o Pós-Doutor em Antropologia, para tristeza de todos nós, faleceu há poucos dias, vítima de um câncer renal, em um dos hospitais de referência do Rio de Janeiro, três dias antes de participar, a convite da ESMEPI, de importante live sobre Segurança Pública Comunitária Interativa. 

Essa foi uma das mais dolorosas e tristes notícias que tive o desprazer de receber no final do ano passado, através de nota de pesar publicada pelo seu amigo íntimo, Bolivar Marinho de Soares Meirelles, General aposentado e cabeça pensante de uma de nossas forças singulares, Cientista Social, Doutor em Ciências de Engenharia de Produção, Pós-Doutor em História Política e Presidente da Casa da América Latina, centro de altos estudos das Américas que, como eu, privou do enriquecedor convívio com esta figura singular, que engrandeceu a Polícia Militar do Rio de Janeiro e os movimentos sociais, através de uma atuação consciente na luta pela superação das discriminações raciais e pela defesa da espécie humana, como autêntica e única verdade. 

Essa nota de pesar, do General Meirelles atesta, eloquentemente, a grandeza moral e funcional de Jorge da Silva no quadro dos intelectuais do nosso país. 

Quem era Jorge da Silva? 

Pelos dados de que disponho, o Coronel Jorge da Silva, além de Cientista Político, Mestre e Doutor em Ciências Sociais, Pós-Doutor em Antropologia, pela Universidade de Buenos Aires, Graduado em Direito e Professor de Criminologia da Universidade de Agostinho Neto, na cidade de Luanda, em Angola, na Polícia Militar do Rio de Janeiro ocupou todos os postos, além de haver sido Secretário de Direitos Humanos e no âmbito Federal, foi Secretário Nacional de Justiça e de Cidadania, do Ministério da Justiça. 

Como palestrante de palavra fácil e fluente, o professor Jorge da Silva participou de importantes congressos, seminários e encontros em diferentes estados do Brasil e de vários outros países, como por exemplo: Argentina, Alemanha, Uruguai, Chile, Equador, Estados Unidos, Canadá, Portugal, França, Polônia, Lituânia e diversos outros países africanos.

Deixou, entre nós, oito emblemáticos e aplaudidos livros publicados, a saber: 120 Anos de Abolição, Controle da Criminalidade e Segurança Pública – na Nova Ordem Constitucional, Criminologia Crítica – Segurança e Polícia, Direitos Civis e Relações Raciais no Brasil, Guia de Luta contra a Intolerância Religiosa e o Racismo, Violência e Identidade Social: um estudo comparativo sobre a atuação policial em duas comunidades no Rio de Janeiro, Violência e Racismo no Rio de Janeiro, PMs a Sina dos Algozes-Vítimas que, a seu pedido tive a incontida alegria e a incomensurável honra de apresentar. 

Esteve no Piauí em duas oportunidades diferentes, ministrando notável curso e apresentando, no dia 4 de novembro de 2020, concorrida live pela ESMEPI, sob o título Segurança Pública Comunitária Interativa e os Três Subsistemas de Justiça Criminal. 

Todos os piauienses guardam consigo este gesto de consideração e apreço, nos acervos das últimas vontades de um homem extraordinário, amigo e mestre pessoal, um dos maiores policiólogos brasileiros de todos os tempos.

O Estado do Piauí, que o homenageou com a Medalha do Mérito Renascença, deve respeito, consideração e zelo fraternal à sua saudosa memória, pelo muito que considerava a nossa comunidade jurídica e policial - militar, civil e penitenciária. Professor emérito e atualizado nos assuntos mais polêmicos e desassombrados, em busca de uma justiça que respeitasse, antes de tudo, a condição humana em nível de igualdade, como mandam as nossas bases constitucionais e as preconizações em que se assentam os Direitos Humanos.

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2021 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.