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O suspeito: obra da inspirada lavra do escritor José Soares de Albuquerque

Artigo do desembargador Edvaldo Pereira de Moura, que é diretor da ESMEPI e professor da UESPI.

Foto: Divulgação/AscomEdvaldo Moura
Edvaldo Moura

Edvaldo Pereira de Moura,

Desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí, diretor da Escola Superior da Magistratura do Piauí (Esmepi) e professor da UESPI

Mais por excessiva consideração e estima indubitáveis, naturalmente, do que por crença em meus modestos méritos literários, o desembargador José Soares de Albuquerque, de quem sou amigo, compadre e admirador, fez-me chegar às mãos esse importante livro de contos, confiando-me o seu prefácio. Mais por merecida consideração e elevada estima, também nunca postas em dúvida, confirmadas pela antiga relação de amizade e compadrio que nos une, aceitei tão difícil, mas desvanecedora e gratificante missão.

Se o conhecido escritor, por capricho, dispensou a participação de um especialista no assunto, já que no meio dos nossos intelectuais, meritoriamente qualificados, na arte de escrever, grande é o número de amigos e admiradores que o acatam e o reconhecem, encorajei-me e me dispus a apresentar tão notável obra, com a visão do amigo íntimo, mesmo claudicando no linguajar próprio do crítico literário. Seu filho, Weslley Albuquerque, preludia o citado livro com um elucidário sentimental comovente, de singular competência e zelo, ofuscando qualquer frase generosa e reveladora que venha após o que disse da figura extraordinária do seu extremoso e estimado pai.

O conto ‘O Suspeito’, que inicia as páginas do citado livro, dá título à obra, seguindo-se duas dezenas de histórias, sempre com as características inconfundíveis do seu autor. Poderia dizer que o nosso contista tem um estilo definido, um meio todo seu de tratar um “causo”, de maneira que é quase impossível não se reconhecer, nos seus escritos, a sua presença inconfundível, com todos os traços da magnetizante e privilegiada personalidade de tão notável escritor.

José Soares de Albuquerque caracteriza os seus contos com fortes traços de oralidade, com tons realistas, quase reportagem, quase documento cartorário. Seu jeito de contar histórias é esmiuçador e memorialístico. Sua ficção é uma colagem da realidade, fazendo com que o leitor se sinta quase uma testemunha ou outra personagem inserida no fato narrado à maneira epistolar e transparente.

Albuquerque dispensa frases bem arrumadas, de efeito, construídas para impressionar os puristas e os patrulheiros dogmáticos da literatura bem comportada às regras do rebuscamento e do artificialismo. Em tudo transparece a realidade nua e crua.

Direto e detalhista, Albuquerque não nos dá a oportunidade da releitura. Essas mesmas qualidades estão perfeitamente amadurecidas, já no seu livro de contos ‘Os Cupins’, publicado há alguns anos e aqui ricamente opinado por uma plêiade de leitores especiais, já por si consagradores do ideal e das posses estilísticas desse admirável contador de histórias.

José Albuquerque busca inspiração nos fatos cotidianos, no dia a dia de nossa gente, nas suas pequenas tragédias e comédias, onde a vida leciona o óbvio de existências degradadas pela mesmice sem maiores esperanças.

Não é difícil perceber a sua presença nas linhas que escreve: no cômico, está o eterno menino, desarmado e brincalhão, de gestos largos e grandiloquentes; no trágico, capta-se a alma do homem pacífico e espiritualizado, curtido no sofrimento, no trabalho diuturno e sério. Essas foram as considerações que apresentei sobre o digno autor, pois quanto ao homem, todos já o conhecem, como mestre da vida, como visionário que entende o mundo como um eito de serviços em prol do bem e da felicidade de todos. Assim, espero que o leitor, também, encontre prazer na leitura desses contos e confirme o universo particular de Albuquerque, em que a comédia pulsa com impressionante realismo, fazendo com que a arte imite a vida.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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