A Controladoria Geral da União (CGU) instaurou nove procedimentos contra servidores do Instituto Nacional do Seguro Social ( INSS ), sob suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de cobranças indevidas a aposentados e pensionistas. As apurações, que tramitam sob sigilo, ainda estão na fase inicial e incluem indícios de enriquecimento ilícito.
Segundo documento encaminhado à CPI do INSS, a Controladoria abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta de servidores da autarquia e instaurou sete Sindicâncias Patrimoniais (Sinpas) para investigar movimentações financeiras consideradas suspeitas. Além disso, também foi aberta uma Investigação Preliminar Sumária (IPS), voltada a pontos que não se enquadram nos demais processos.
As punições, caso sejam confirmadas irregularidades, podem variar de advertência até demissão, e o material levantado poderá ser encaminhado à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público para responsabilização criminal.
As investigações da PF apontam que dirigentes e servidores do INSS teriam recebido propina para facilitar e validar acordos de cooperação técnica (ACTs), que possibilitaram as cobranças ilegais. O esquema teria movimentado ao menos R$ 9,3 milhões em comissões.
De acordo com a PF, os valores partiram de empresas ligadas ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes , conhecido como Careca do INSS, apontado como articulador do esquema. Preso preventivamente por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Antunes nega as acusações e afirma que os pagamentos feitos estão relacionados a serviços prestados por suas companhias.
A CGU informou ainda que as apurações utilizam dados fornecidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsável por monitorar operações financeiras suspeitas. Paralelamente, a Corregedoria do INSS também instaurou 12 Processos Administrativos de Responsabilização (PARs) e outros seis procedimentos entre PADs e IPS, que foram incorporados às análises da Controladoria.