O ministro André Mendonça , do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 389 milhões do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos ( Sindnapi ) e de dirigentes da entidade. Um dos vice-presidentes do sindicato é José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico , irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

A decisão foi tomada nesta terça-feira (14), no âmbito de uma ação que tramita sob sigilo judicial. O processo é o mesmo que deu origem à operação da Polícia Federal (PF) realizada na última quinta-feira (9), que investiga um esquema de descontos indevidos sobre benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Foto: Victor Piemonte
Ministro André Mendonça em sessão da Primeira Turma

Segundo a PF, o Sindnapi é suspeito de envolvimento em fraudes ligadas à inclusão de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa e ocultação de patrimônio.

Como relator do caso, Mendonça autorizou o cumprimento de 66 mandados de busca e apreensão em oito estados: São Paulo, Distrito Federal, Sergipe, Pernambuco, Bahia, Amazonas, Santa Catarina e Rio Grande do Norte.

Foto: Ricardo Stuckart
Frei Chico

Durante a operação, os agentes apreenderam R$ 135 mil em espécie, 27 veículos — entre eles modelos de luxo como Ferrari, Porsche, BMW, Audi e Mini Cooper —, além de uma arma de fogo, 30 relógios de alto valor, celulares e notebooks. Alguns dos relógios foram avaliados em até R$ 100 mil.

Sindnapi nega irregularidades

Em nota, o porta-voz do Sindnapi, Marco Piva, afirmou que o sindicato está “muito tranquilo em relação ao processo” e destacou os 25 anos de atuação da entidade.

Sem anúncio no momento

A defesa do sindicato negou qualquer envolvimento em irregularidades e garantiu que vai comprovar a legalidade das atividades. Os advogados também manifestaram repúdio às acusações e afirmaram que não houve irregularidades nos descontos aplicados aos associados.

“O Sindnapi comprovará a lisura e a legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e o respeito que são devidos”, diz o texto divulgado pela entidade.