A Polícia Federal intensificou as investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo informações da Folha de S.Paulo , mensagens extraídas dos celulares de um empresário e de um lobista abriram novas frentes de apuração dentro da Operação Sisamnes, que completa um ano em novembro.

Um relatório preliminar da PF, apresentado no início de outubro, indica que a análise das informações contidas nos aparelhos deve orientar os próximos passos da investigação, conduzida sob a supervisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de nenhum ministro do STJ constar entre os investigados, o caso segue sob responsabilidade do Supremo para garantir a legalidade das diligências mais delicadas e proteger o inquérito de possíveis interferências externas.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Superior Tribunal de Justiça

Celular de empresário pode fortalecer provas

De acordo com o jornal, um dos aparelhos analisados pertence a Haroldo Augusto Filho, empresário ligado à empresa de gestão patrimonial Fource. Ele foi alvo de busca e apreensão na primeira etapa da operação. A PF afirma que a companhia, apresentada como uma consultoria em reestruturação de empresas, teria sido usada para manipular processos judiciais e driblar credores em benefício próprio.

As mensagens obtidas no celular de Haroldo podem reforçar provas já colhidas no telefone de um advogado assassinado em 2023, além de revelar novos nomes ligados ao suposto esquema. Em nota, a Fource negou qualquer irregularidade e classificou o relatório da PF como “frágil” e baseado em “relações subjetivas”. A empresa também criticou o que chamou de “cenário de denuncismo” e lamentou o vazamento de informações sigilosas relacionadas à investigação.