A mais recente edição da pesquisa Retratos do Brasil, da Confederação Nacional da Indústria ( CNI ), revela que o chamado Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50 popularmente conhecido como “taxa das blusinhas” já tem impacto direto no comportamento dos brasileiros: 38% dos consumidores afirmaram ter desistido de compras em sites estrangeiros por causa do tributo. O levantamento, realizado em outubro de 2025, indica que a medida, criada para equilibrar a concorrência entre produtos nacionais e importados, vem alterando o panorama do comércio eletrônico no país.

Segundo a CNI, o imposto é visto como um passo inicial para fortalecer a indústria nacional, embora ainda insuficiente para corrigir a disparidade de preços frente aos produtos importados. Mesmo com as desistências, cresce o número de consumidores que optam por alternativas dentro do mercado interno: a busca por versões nacionais subiu de 22% em 2024 para 32% neste ano. Entre os mais afetados pela tributação estão jovens de 16 a 40 anos, pessoas com ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Sites de compras

Além da “taxa das blusinhas”, outros custos também pesam no bolso do consumidor. O ICMS motivou 36% dos entrevistados a abandonar o carrinho de compras, enquanto o frete internacional e os longos prazos de entrega continuam sendo barreiras significativas responsáveis, respectivamente, por 45% e 34% das desistências. Para muitos, o custo total do pedido, somado às incertezas sobre a entrega, faz com que a compra em sites nacionais pareça mais segura e vantajosa.

O estudo ainda mostra que o perfil predominante das importações é o de consumo próprio: 75% dos brasileiros compram de fora apenas para uso pessoal, índice que chega a 90% entre pessoas com mais de 60 anos. Realizada pela agência Nexus, a pesquisa ouviu mais de dois mil brasileiros em todas as regiões do país e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Para a CNI, os resultados refletem uma mudança cultural importante: o consumidor brasileiro está cada vez mais atento ao custo-benefício e repensando o hábito de importar.