O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nesta quarta-feira (29) a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a ação do crime organizado no Brasil. A decisão ocorre um dia após a megaoperação policial contra líderes e integrantes do Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro.

Alcolumbre afirmou que autorizou a CPI em entendimento com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), com o objetivo de apurar o avanço das milícias e facções criminosas no país, além de promover uma “união” entre as instituições. De acordo com ele, a instalação deve ocorrer na próxima terça-feira (4).

“A comissão irá apurar a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime organizado, com foco na atuação de milícias e facções. É hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”, afirmou Alcolumbre em uma rede social.

A operação no Rio de Janeiro foi considerada um “sucesso” pelas autoridades locais, mas recebeu críticas de integrantes do governo do presidente Lula (PT). Em entrevista coletiva no início da tarde, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que a corporação foi comunicada, mas optou por não participar.

“Não fomos comunicados de que seria deflagrada neste momento. Houve contato anterior, do pessoal da inteligência da Polícia Militar com o nosso pessoal no Rio, para verificar se haveria alguma possibilidade de atuarmos em algum ponto nesse contexto. A partir da análise do planejamento operacional, a nossa equipe entendeu que não era uma operação razoável para que participássemos”, explicou Rodrigues.

A declaração divergiu da fala do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que afirmou que o governo federal não havia sido informado da operação nem recebido pedido de apoio por parte da gestão de Cláudio Castro (PL-RJ).

Sem anúncio no momento

Pedidos negados

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, afirmou que teve pelo menos três pedidos de ajuda ao governo federal negados e, por isso, não solicitou apoio para esta operação. Segundo ele e outras autoridades estaduais, toda a ação foi executada exclusivamente pelo governo do Estado.

“Não pedimos desta vez porque já tivemos três negativas. Então já entendemos a política de não ceder. Falaram que tem que ter GLO, e o presidente já falou que é contra a GLO”, declarou Castro.

A fala do governador foi rebatida por Lewandowski pouco depois. O ministro disse que o governo federal “tem atendido, prontamente, a todos os pedidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro para o emprego da Força Nacional no Estado”.

Nesta quarta-feira (29), Castro endureceu novamente o tom contra o governo Lula e afirmou: “o governador desse Estado e nenhum secretário vão ficar respondendo a ministro ou secretário que queira transformar esse momento em batalha política. Nosso recado é: soma ou suma".

*Com colaboração da repórter Lilian Aragão