Nesta segunda-feira (10), Guilherme Derrite rebateu as críticas do governo de que havia elaborado um relatório às pressas e alterado a proposta elaborada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) ao incluir o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.
O deputado federal é relator da proposta que pretende endurecer as penas contra as facções criminosas. Ele havia sido criticado mais cedo pelo secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo , que ressaltou estar “assustado e decepcionado” pelas alterações feitas no PL Antifacção.
O secretário alegou ainda que as mudanças podem levar à desestruturação do sistema penal e processual brasileiro. Uma das críticas do governo ao relatório era de que havia sido retirado da proposta inicial um dispositivo acerca de medidas de descapitalização do crime organizado, o qual Sarrubbo disse se tratar apenas do “andar de baixo” do crime organizado, sem atingir o topo.
Guilherme Derrite criticou o sentido da discussão levantada pelo governo, de que haveria ideologia política e pouco conhecimento no relatório elaborado por ele. O deputado defende que medidas de descapitalização do crime organizado estão incluídas no texto. Ele também reforçou que levará para a proposta as ações que implementou como secretário da Segurança Pública de São Paulo, as quais determinam o perdimento de bens das organizações criminosas.
Derrite justificou ainda sua proposta de enquadrar as facções criminosas brasileiras como terroristas, afirmando que as organizações utilizam a população como barreira humana em suas ações. O deputado foi escolhido na sexta-feira (7) pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, como relator da proposta. A escolha causou desconforto no governo e gerou desconfiança de aliados em relação ao parlamentar.