O ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (14) manter a prisão preventiva do coronel Marcelo Câmara, réu do “núcleo 2” da suposta tentativa de golpe de Estado. Ele está preso desde junho por descumprimento de medidas cautelares.

Câmara foi um dos principais assessores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o acompanhou na viagem aos Estados Unidos no fim do mandato, em 2022. Ao justificar a decisão, Moraes afirmou ser “evidente a necessidade de manutenção da custódia cautelar” para “resguardar a aplicação da lei penal e a ordem pública”.

Foto: Gustavo Moreno/STF
Ministro Alexandre de Moraes

Segundo o ministro, as provas reunidas na investigação apontam para a “existência de gravíssimos crimes e indícios suficientes de autoria”, além de demonstrarem a “extrema periculosidade dos agentes, incluído o réu Marcelo Costa Câmara”.

No início de novembro, Moraes também negou o pedido do coronel para comparecer à formatura da filha no curso de Medicina. Câmara havia sido preso inicialmente em janeiro de 2024 e ganhou liberdade provisória em maio do mesmo ano, sob uma série de restrições — entre elas, a proibição de se comunicar com outros investigados, direta ou indiretamente.

Em junho, o advogado Eduardo Kuntz informou ao STF que conversou com o tenente-coronel Mauro Cid, delator do caso. Após a revelação, Moraes determinou a nova prisão de Câmara e abriu inquérito para investigar possível obstrução de Justiça por parte do coronel e de seu advogado. O procedimento ainda está em andamento no Supremo.

Na decisão desta sexta, o ministro destacou que a tentativa, por meio da defesa, de obter informações sigilosas do acordo de colaboração premiada de Cid “indica o perigo gerado pelo estado de liberdade” do coronel, além de caracterizar possível embaraço às investigações.

Sem anúncio no momento

Câmara é apontado como responsável por um núcleo de “inteligência paralela”, dedicado à coleta de informações sensíveis e estratégicas “para auxílio na tomada de decisões do então presidente da República”. A Polícia Federal afirma que ele monitorou itinerários, deslocamentos e a localização do próprio Moraes, identificado como “professora” em mensagens apreendidas.

Nas alegações finais, a defesa do militar afirmou que as provas são frágeis e baseadas em delação obtida sob pressão. Câmara nega qualquer envolvimento em plano de golpe ou em ações clandestinas.