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Governo Lula aciona OMC contra tarifaço de Donald Trump

De acordo com o Itamaraty, o Brasil questiona duas medidas adotadas pelo governo norte-americano.

O Governo Lula deu início, nessa segunda-feira (27), a uma disputa formal na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A iniciativa foi anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores, que apresentou um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da entidade.

De acordo com o Itamaraty, o Brasil questiona duas medidas adotadas pelo governo norte-americano na última semana. A primeira estabelece uma tarifa de 25% relacionada a uma investigação sobre o comércio digital brasileiro e o sistema de pagamentos Pix. A segunda impõe uma taxa adicional de 12,5%, fundamentada em uma apuração conduzida pelos Estados Unidos sobre supostas práticas de trabalho forçado.

Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilPresidente Lula
Presidente Lula

Na avaliação do governo brasileiro, as tarifas violam compromissos internacionais assumidos pelos Estados Unidos no âmbito da OMC. O Itamaraty sustenta que as medidas não possuem justificativa adequada e são incompatíveis com as regras previstas no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT 1994) e com os procedimentos que regem a solução de controvérsias da organização.

O pedido de consultas representa a primeira etapa do mecanismo de resolução de disputas da OMC. Nessa fase, os dois países têm a oportunidade de buscar uma solução negociada antes que o caso avance para a constituição de um painel arbitral.

Entretanto, o processo enfrenta um obstáculo importante. O Órgão de Apelação da OMC, responsável por analisar recursos em disputas comerciais e considerado a instância máxima do sistema, permanece sem funcionamento desde dezembro de 2019. A paralisação ocorreu após os Estados Unidos bloquearem a nomeação de novos integrantes para o colegiado.

Além da ação apresentada na OMC, o governo brasileiro informou que também estuda a adoção de medidas com base na Lei da Reciprocidade Econômica. A legislação permite ao Brasil responder a restrições comerciais consideradas prejudiciais aos interesses nacionais, caso sejam atendidos os requisitos previstos na norma.

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