Nesta terça-feira (18), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes usou seu voto na ação do núcleo 3 para se defender da acusação de que estaria, ao mesmo tempo, atuando como vítima e julgador. Segundo Moraes, não houve denúncia de tentativa de homicídio por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR) e, por isso, não há que se falar em suspeição.
"Em virtude da disseminação de fake news, que retornaram às vésperas deste julgamento, nós não estamos julgando aqui nenhum crime de tentativa de homicídio contra Alexandre de Moraes, Luiz Inácio Lula da Silva ou Geraldo Alckmin. Obviamente, se estivéssemos julgando uma tentativa de homicídio contra Alexandre de Moraes, eu não poderia participar do julgamento. As pessoas de má-fé continuam repetindo isso", afirmou Moraes.
O núcleo 3 é acusado de organização criminosa armada, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado. Conforme a investigação, uma das etapas do suposto plano seria o assassinato de Moraes, do presidente Lula (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
“São atos sequenciais, atos de execução sequenciais para os crimes imputados. Não têm nenhuma relação com tentativa de homicídio à pessoa A, B ou C, mas mostram todo o planejamento, o punhal verde-amarelo, a demonstrar inclusive a utilização de armamento pesado da organização criminosa”, disse Moraes.
Julgamento do núcleo 3
A Primeira Turma do Supremo julga o núcleo 3, acusado de subsidiar um plano de golpe de Estado entre o final de 2022 e o dia 8 de janeiro de 2023, por meio de “desinformação”, convencimento de superiores e planejamento de assassinatos.
O núcleo é composto pelos réus:
-O núcleo é composto pelos réus:
-General da reserva Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira;
-Coronel Bernardo Romão Corrêa Netto;
-Coronel Fabrício Moreira de Bastos;
-Coronel Márcio Nunes de Resende Júnior;
-Tenente-coronel Hélio Ferreira Lima;
-Tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira;
-Tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo;
-Tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros;
-Tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior;
-Agente de polícia federal Wladimir Matos Soares;
O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) foi condenado, no âmbito do núcleo 1, a 27 anos de prisão, acusado de chefiar a suposta organização criminosa.