Os Correios anunciaram, nesta sexta-feira (21), a aprovação de um amplo plano de reestruturação que prevê o fechamento de até mil agências consideradas deficitárias, a contratação de uma operação de crédito de até R$ 20 bilhões e uma série de ações voltadas a conter o rombo financeiro da estatal — que já acumula R$ 4,4 bilhões em 2025, superando todo o prejuízo registrado no ano anterior.
O plano, aprovado pelo conselho da empresa na quarta-feira (19), está dividido em três etapas: recuperação financeira, consolidação e crescimento. As medidas foram definidas após uma revisão profunda do modelo de negócios, considerado atualmente incompatível com o tamanho e a estrutura da corporação.
Em nota, os Correios reforçaram a necessidade das mudanças: “Mesmo diante dos desafios, a estatal segue comprometida com a universalização dos serviços, buscando soluções que equilibrem eficiência, qualidade e inclusão. Como única empresa pública federal presente em todos os municípios, somente os Correios conseguem alcançar cada brasileiro.”
Nos próximos 12 meses, a estatal deve focar no corte de despesas consideradas urgentes, incluindo um Programa de Demissão Voluntária, ajustes no plano de saúde e o compromisso de manter fornecedores totalmente adimplentes. O pacote prevê ainda a modernização de operações, investimentos em tecnologia e a garantia de liquidez até 2026.
A venda de ativos também integra a estratégia, com potencial de gerar cerca de R$ 1,5 bilhão — principalmente por meio da alienação de imóveis. Já a reestruturação da rede de atendimento poderá eliminar até mil pontos deficitários, permitindo que a empresa concentre esforços na ampliação de serviços ligados ao comércio eletrônico e em novas parcerias de mercado. Fusões, aquisições e reorganizações societárias também são consideradas para reforçar a competitividade da estatal.
Com todas as etapas executadas, a projeção é que o déficit comece a cair em 2026 e que os Correios retomem o lucro em 2027. Segundo a empresa, a reestruturação é fundamental para assegurar que o serviço postal siga funcionando de forma sustentável em todo o país.