Neste sábado (22), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), após uma decisão que retoma o controverso processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro foi condenado em 11 de setembro junto a outros sete réus por envolvimento em uma articulação para abolição violenta da ordem democrática após as eleições de 2022.

O julgamento, conduzido pela 1ª Turma do STF, resultou em condenações por vários crimes graves. Entre eles estão a “organização criminosa armada”, a tentativa de golpe de Estado, a “abolição violenta do Estado democrático de direito” e danos ao patrimônio público, incluindo agravantes por violência e ameaça. Também houve condenação por deterioração de patrimônio tombado, segundo os autos do processo.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Jair Bolsonaro

Quais foram os crimes atribuídos

De acordo com os ministros que votaram no julgamento, o grupo liderado por Bolsonaro cometeu os seguintes crimes:

Golpe de Estado

Abolição violenta do Estado Democrático de Direito

Sem anúncio no momento

Organização criminosa

Dano qualificado ao patrimônio da União

Deterioração de patrimônio tombado

No caso específico de Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin, há tendência de absolvição em dois dos crimes relacionados ao patrimônio público.

Quem são os acusados e qual foi a pena

Além de Jair Bolsonaro, foram julgados:

Walter Braga Netto - general e ex-ministro, que também foi vice da chapa de Bolsonaro

Mauro Cid - tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator

Almir Garnier - almirante e ex-comandante da Marinha

Alexandre Ramagem - deputado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)

Augusto Heleno - general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional

Paulo Sérgio Nogueira - general e ex-ministro da Defesa

Anderson Torres - ex-ministro da Justiça

As penas aplicadas variam conforme o envolvimento de cada réu, mas alguns destaques :

Jair Bolsonaro:

Organização criminosa: 7 anos e 7 meses

Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: 6 anos e 6 meses

Golpe de Estado: 8 anos e 2 meses

Dano qualificado: 2 anos e 6 meses

Deterioração de patrimônio tombado: 2 anos e 6 meses

Total: 27 anos e 3 meses + 124 dias-multa (cada dia equivalente a 2 salários mínimos)

Walter Braga Netto: 26 anos de prisão + 100 dias-multa

Almir Garnier: 24 anos de prisão + 100 dias-multa

Anderson Torres: 24 anos (com regime misto) + 100 dias-multa

Augusto Heleno: 18 anos e 8 meses + 84 dias-multa

Paulo Sérgio Nogueira: 19 anos + 84 dias-multa

Alexandre Ramagem: 16 anos, 1 mês e 15 dias + 50 dias-multa

Mauro Cid: até 2 anos em regime aberto, por colaboração premiada, sem multa, com benefícios adicionais previstos

Por que a prisão ainda não começou de fato

Apesar da definição das penas no julgamento, a maioria dos condenados, incluindo Bolsonaro, não entrou imediatamente em regime de cumprimento de pena. Isso porque ainda há recursos em andamento, e eles ainda podem recorrer das decisões. Somente se os recursos finais forem rejeitados é que as prisões poderão ser efetivadas de forma definitiva.

A prisão preventiva de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal, na manhã deste sábado (22), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília por volta das 6h35. Não se trata do início do cumprimento da pena por golpe de Estado. O motivo alegado pela prisão foi garantia da ordem pública depois de uma vigília uma próxima ao condomínio em que Bolsonaro mora.