O ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nessa terça-feira (25), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permanecerá inelegível pelos próximos 35 anos.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado por violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Moraes comunica TSE sobre inelegibilidade de Bolsonaro até 2060

Durante o julgamento, todos os réus do chamado “núcleo crucial” da suposta tentativa de golpe foram declarados inelegíveis com base na Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010). A legislação determina que a inelegibilidade de 8 anos para condenados por organização criminosa só começa a contar após o cumprimento da pena.

Com isso, a inelegibilidade de Bolsonaro se estenderá até 2060. Moraes enviou o ofício à presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, que também integra a Primeira Turma do STF. Na noite desta terça, o colegiado confirmou a decisão do relator que determinou o início da execução das penas impostas ao ex-presidente e a seus aliados.

“Oficie-se à Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, nos termos do art. 1º, I, 1.10, da Lei Complementar nº 135/2010, para fins de inelegibilidade do réu Jair Messias Bolsonaro, em virtude de decisão condenatória colegiada”, escreveu Moraes ao concluir o processo.

A decisão também suspende os direitos políticos de todos os réus enquanto durarem os efeitos da condenação criminal transitada em julgado, conforme estabelece o artigo 15, III, da Constituição Federal.

Sem anúncio no momento

Bolsonaro já estava inelegível até 2030

Antes da nova determinação, Bolsonaro já havia sido declarado inelegível até 2030 pelo TSE em dois julgamentos distintos. O primeiro, concluído em junho de 2023, analisou a reunião no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros, na qual o então presidente fez ataques ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas.

Na ocasião, ele foi condenado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Após o esgotamento dos recursos no TSE, Bolsonaro tenta reverter a decisão no STF.

Em outubro de 2023, o TSE novamente o declarou inelegível, desta vez por abuso de poder político e econômico durante as comemorações do Bicentenário da Independência, em 7 de setembro de 2022, em Brasília e no Rio de Janeiro. A pena também foi fixada em 8 anos, contados a partir das eleições de 2022.