A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia , comentou, nesse sábado (29), os julgamentos sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A declaração ocorreu durante um evento literário no Rio de Janeiro, em meio às reações à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados na Ação Penal 2668.

Durante sua fala, Cármen Lúcia alertou para os riscos à democracia: “A primeira vítima de qualquer ditadura é a Constituição. A erva daninha da ditadura, quando não é cuidada e retirada, toma conta do ambiente”, afirmou. Ela também rebateu críticas de que o STF estaria julgando uma "mera tentativa": “Meu filho, se tivessem dado golpe, eu estaria na prisão, não poderia nem estar aqui julgando.”

Foto: Victor Piemonte/STF
Ministra Cármen Lúcia

As declarações ocorrem após o ministro Alexandre de Moraes determinar o trânsito em julgado do processo e converter a prisão preventiva de Bolsonaro do regime domiciliar para o fechado. Moraes apontou risco de fuga, citando a convocação de uma vigília por parte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a tentativa do ex-presidente de abrir a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. A oposição alega perseguição e promete denunciar Moraes a embaixadas em Brasília.

Mesmo reconhecendo que o evento “não era um espaço próprio de debates da esfera política formal”, Cármen Lúcia mencionou elementos do processo, dizendo que estava “documentado em palavras a tentativa de ‘neutralizar’ alguns ministros do Supremo.”

A ministra compõe a Primeira Turma do STF, que atualmente tem quatro integrantes indicados por presidentes petistas, três por Lula e um por Dilma Rousseff. O único não indicado por governos do PT é o ministro Alexandre de Moraes, nomeado por Michel Temer (MDB). Caso o advogado-geral da União, Jorge Messias, seja aprovado para o Supremo, o colegiado passará a ter quatro ministros indicados por Lula e um por Temer.

Jair Bolsonaro segue preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Na quinta-feira (27), recebeu visitas do filho Jair Renan (PL-SC) e da esposa, Michelle Bolsonaro.

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