Nessa terça-feira (04) a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Isabel Gallotti votou pela cassação do mandato, bem como pela inelegibilidade de Cláudio Castro , governador do Rio de Janeiro.
O julgamento aconteceu após denúncia de suposto abuso de poder na campanha de 2022 pelo governador ao contratar 27 mil funcionários temporários na Fundação Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Esses funcionários teriam atuado como cabos eleitorais.
Também estão sendo investigados o ex-vice-governador Thiago Pampolha, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e outras dez pessoas ligadas ao governo. A sessão foi interrompida após pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira.
Segundo a ministra Isabel Gallotti, o parlamentar exerceu papel central na articulação do esquema ilícito, com o objetivo de construir um projeto de poder. Por isso, ela defendeu a cassação do mandato de Castro. A ministra também destacou que os funcionários temporários receberam seus pagamentos por meio de saques em espécie. Em uma única agência do Bradesco, em Campos dos Goytacazes, foram sacados mais de R$ 200 milhões. O município é reduto eleitoral de Bacellar.
A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral e pela coligação que apoiou Marcelo Freixo, então adversário político de Castro. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) havia absolvido os acusados e mantido seus mandatos; contudo, o MPE e a coligação recorreram ao TSE.
De acordo com o advogado Fernando Neves, não houve “paridade de armas” na apresentação da defesa. Ele afirmou ainda que o governador apenas sancionou uma lei aprovada pela Alerj e assinou o contrato que autorizava a contratação de funcionários temporários para acompanhamento de projetos de pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.