O advogado Augusto de Arruda Botelho comemorou, na quarta-feira (10), o resultado da votação na Câmara dos Deputados que manteve o mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), impondo-lhe uma suspensão de seis meses. A manifestação do criminalista ocorre dias após vir à tona sua viagem a Lima ao lado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli , relator de um caso envolvendo o Banco Master , instituição ligada a um cliente defendido por Botelho.
A viagem em jatinho particular reacendeu debates sobre possíveis conflitos de interesse, já que o deslocamento aconteceu antes de o advogado apresentar um habeas corpus no STF em nome de Luiz Antonio Bull, diretor de compliance do banco em liquidação. Toffoli afirmou que o assunto não foi tratado durante o trajeto.
O caso envolvendo Glauber Braga chegou ao plenário em clima de tensão. Na véspera da votação, o deputado ocupou a mesa diretora e se recusou a deixar o local, provocando a intervenção da Polícia Legislativa. O sinal da TV Câmara foi interrompido durante a ação, e jornalistas relataram ferimentos no tumulto. A denúncia contra o parlamentar trata da acusação de agressão a um manifestante do Movimento Brasil Livre dentro da Câmara. Caso fosse cassado, Glauber se tornaria inelegível por oito anos.
Na mesma sessão, os deputados também decidiram manter o mandato de Carla Zambelli (PL-RJ), que está detida na Itália enquanto aguarda decisão sobre extradição. A deputada deixou o Brasil após ser condenada por envolvimento no ataque aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, caso que também resultou na condenação do hacker Walter Delgatti Neto. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, deve agora prestar informações sobre as condições carcerárias que Zambelli enfrentaria em eventual retorno ao país.