O presidente Luiz Inácio Lula Da Silva (PT) disse que o Brasil pode deixar de lado o acordo entre Mercosul e União Europeia em casos de não aprovação do tratado a tempo da assinatura que está prevista para sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR).
Bernd Lange, presidente da Comissão Internacional do Parlamento Europeu , afirmou que “o acordo estará morto” se não for assinado dentro do prazo previsto. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni , disse não concordar com assinatura do acordo neste momento e confirmou que não dará aval na votação marcada para esta semana.
Discutido há 26 anos, o acordo voltou a ser citado por Lula, que declarou não pretender retomá-lo em outra ocasião caso não seja firmado agora. “Eu já avisei para eles: se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente”, afirmou.
Com o posicionamento da Itália, cresce o risco de bloqueio formal do acordo pelas regras da União Europeia. A adesão de Roma ao grupo contrário, liderado pela França, alcança o número necessário para formar uma minoria de bloqueio, reunindo países que representam ao menos 35% da população do bloco.
Polônia e Hungria também não concordam com o tratado. Lula afirmou que seguirá para Foz do Iguaçu aguardando uma resposta positiva, mas deixou claro que haverá consequências políticas caso o acordo seja rejeitado. “Se disserem não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles, porque nós cedemos a tudo o que era possível a diplomacia ceder”, concluiu.
O tratado prevê a integração comercial entre países que somam cerca de 722 milhões de pessoas. Neste momento, o que está em análise é apenas a parte comercial do acordo, separada dos demais capítulos do texto original.
A divisão foi uma estratégia para evitar a necessidade de aprovação em todos os parlamentos nacionais dos 27 países da União Europeia.