A Liderança da Oposição na Câmara dos Deputados anunciou, nesta terça-feira (23), a intenção de apresentar um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes . A iniciativa é coordenada pelo deputado Cabo Gilberto (PL-PB), líder do bloco oposicionista, e tem como base reportagens que citam o nome do magistrado no chamado caso Banco Master.

Em nota oficial, a oposição afirma que o pedido tem como objetivo assegurar a segurança jurídica e preservar a credibilidade das instituições. Segundo o comunicado, a medida busca garantir uma apuração isenta e o completo esclarecimento dos fatos, inclusive para eventual comprovação da inocência do ministro. O grupo também cobra do Senado Federal uma atuação responsável e estritamente alinhada ao devido processo legal, já que cabe à Casa analisar pedidos de impeachment de ministros do STF.

Foto: Antonio Augusto/STF
Alexandre de Moraes

Ainda de acordo com a oposição, já foi iniciada a coleta de assinaturas para viabilizar o protocolo do pedido. Parlamentares que defendem princípios como ética, respeito à Constituição e igualdade perante a lei foram convocados a aderir à iniciativa. O texto reforça que, no Estado Democrático de Direito, não existem privilégios ou autoridades acima da lei.

O contexto do pedido envolve a condução do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal. A investigação passou a tramitar sob sigilo após o ministro Dias Toffoli avocar o processo, decisão que restringiu o acesso da imprensa e da sociedade civil às informações. A atuação de Toffoli gerou controvérsia depois da divulgação de que ele teria viajado em um jato particular ao lado do advogado de um dos investigados, com destino a Lima, no Peru, onde acompanhou a final da Copa Libertadores.

Outro ponto que levantou questionamentos foi a retirada de dados referentes à quebra de sigilo bancário de Daniel Vorcaro , proprietário do Banco Master, dos autos da CPMI do INSS . Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, houve determinação para que os documentos já encaminhados ao colegiado fossem recolhidos e mantidos sob guarda exclusiva da Presidência do Senado.

O nome do ministro Alexandre de Moraes também aparece citado no caso. Conforme reportagem do jornal O Globo, o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, firmou contrato com o Banco Master no valor de R$ 129 milhões, prevendo serviços de assessoria e consultoria jurídica. O acordo estabelecia pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões até 2027, independentemente dos resultados alcançados.

Sem anúncio no momento

Em resposta, Alexandre de Moraes informou, por meio de nota, que, em razão da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, além de dirigentes do Banco Itaú. Segundo o ministro, também participou de um encontro com representantes da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), da Febraban, do BTG e de executivos do Santander e do Itaú. De acordo com Moraes, todas as reuniões trataram exclusivamente das possíveis consequências da aplicação da lei, especialmente sobre a manutenção de contas bancárias, cartões de crédito e débito e demais movimentações financeiras.