A Polícia Federal (PF) colherá, nesta terça-feira (30), a partir das 14h, os depoimentos do fundador do Banco Master , Daniel Vorcaro ; do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa; e do diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos. Após as oitivas, caberá à delegada responsável pela investigação decidir se será necessária a realização de uma acareação entre os envolvidos.

A mudança ocorre após um recuo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli , que havia determinado a realização da acareação. A partir de agora, o procedimento ficou condicionado à avaliação da PF sobre a existência de contradições relevantes nos depoimentos.

Os depoimentos serão colhidos de forma separada, inclusive por meio de videoconferência. O procedimento será acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete de Toffoli e por um representante do Ministério Público.

Foto: Felipe Sampaio/SCO/STF
Dias Toffoli

A acareação é um recurso utilizado em investigações criminais com o objetivo de confrontar versões divergentes apresentadas por diferentes envolvidos no processo. No caso do Banco Master, o confronto só ocorrerá se a delegada entender que há inconsistências nas versões que justifiquem a necessidade de colocar os depoentes frente a frente.

O inquérito analisa as responsabilidades relacionadas à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro. De acordo com informações citadas na investigação, haveria cerca de R$ 12 bilhões em créditos sem lastro no balanço da instituição, acusação negada pelo banco.

As investigações avançaram após a Operação Compliance Zero ser deflagrada pela Polícia Federal em setembro, quando foram apreendidos equipamentos e documentos. Segundo a corporação, o volume de dados encontrados é elevado, o que influenciou a decisão de priorizar depoimentos individuais antes da eventual realização de uma acareação.

Sem anúncio no momento

Caso Master

Vorcaro foi preso em novembro, ao tentar embarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, e permaneceu detido por cerca de 12 dias. Ele foi liberado por decisão judicial e passou a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

A tentativa de venda do Banco Master ao BRB, anunciada em março, envolvia cerca de R$ 50 bilhões em ativos. A operação foi vetada pelo Banco Central em setembro e, dois meses depois, a autoridade monetária decretou a liquidação da instituição.

A investigação teve início na Justiça Federal e passou a tramitar no STF após a defesa de Vorcaro solicitar o envio do caso à Corte, sob o argumento de que há menção a um deputado federal nos autos. O processo segue sob sigilo.