O advogado Jeffrey Chiquini, defensor do ex-assessor presidencial Filipe Martins , informou que pretende acionar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) após ter sua palavra cassada pelo ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), durante audiência nesta quarta-feira (16). A sessão integra o processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022.

O episódio ocorreu enquanto Chiquini questionava o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias. Moraes interrompeu o advogado alegando que os questionamentos assumiam tom acusatório e estavam sendo repetitivos, especialmente em relação a informações ligadas à Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Foto: Ton Molina/STF
Alexandre de Moraes

"Enquanto eu falo, o senhor fica quieto"

Esta não foi a primeira tensão entre o ministro e o advogado. Na segunda-feira (14), Chiquini já havia solicitado a suspensão da audiência por considerar inviável analisar aproximadamente 78 terabytes de dados em apenas quatro dias úteis, o que gerou uma reação ríspida de Moraes, que mandou o advogado “ficar quieto”. "Enquanto eu falo, o senhor fica quieto", afirmou.

Após o ocorrido, Chiquini alegou "cerceamento do direito de defesa" e afirmou que todas as testemunhas arroladas pela defesa foram indeferidas ou não compareceram. O advogado também declarou que irá solicitar manifestação da OAB sobre a conduta do ministro e eventuais garantias aos profissionais que atuam no caso.

Além disso, defensores de outros investigados, incluindo os do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), têm relatado dificuldades no acesso integral e organizado à documentação processual, o que, segundo eles, compromete a atuação técnica das defesas. O processo segue em andamento no Supremo.

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