O general da reserva Theophilo Gaspar de Oliveira, ex-comandante de Operações Terrestres, negou qualquer participação em uma suposta tentativa de ruptura institucional durante depoimento prestado nesta segunda-feira (28) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é réu no núcleo 3 da investigação conduzida pela Polícia Federal que apura um suposto plano de golpe de Estado articulado no fim de 2022, antes da posse do presidente Lula.
Durante o interrogatório, Oliveira afirmou nunca ter participado de transmissões ao vivo com o então presidente Jair Bolsonaro , tampouco de reuniões sobre os planos denominados "Punhal Verde e Amarelo" e "Luneta". “Só ouvi falar dessas articulações posteriormente”, disse o militar. “Também não recebi ordem de ninguém para executar o que quer que seja.”
Oliveira ocupava um posto no Alto-Comando do Exército e era responsável por coordenar os chamados “kids pretos”, militares de elite treinados para operações de contra-inteligência, insurreição e guerrilha. Segundo a Polícia Federal, esse grupo teria sido cogitado para prender autoridades no contexto da tentativa de golpe.
Apesar da posição de comando, o general afirmou que os militares sob sua supervisão eram subordinados diretamente ao comandante do Exército. “Se eu desse alguma ordem de natureza antidemocrática, ninguém cumpriria”, declarou. “Não existe isso de dar uma determinação assim sem o consentimento do comandante.”
As investigações apontam, com base em mensagens encontradas no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator no inquérito, que Oliveira teria manifestado apoio à iniciativa golpista, desde que houvesse a assinatura de um decreto pelo então presidente. O suposto aval teria sido dado durante uma reunião com Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em 9 de dezembro de 2022.
Natural de Fortaleza (CE), Theophilo Gaspar de Oliveira tem passagens por cargos de comando, entre eles o da 10ª Região Militar, e pertence a uma família com tradição no Exército e na política.