A base do Governo Lula (PT) no Congresso pode sofrer uma estremecida com o acordo anunciado pela oposição com líderes de partidos do Centrão, que pretende avançar as pautas como anistia aos presos de 8 de janeiro de 2023 e a PEC do fim do foro privilegiado. Essas propostas defendidas pelos parlamentares do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, geram preocupação no Palácio do Planalto, que pode ter a agenda esvaziada, com o atraso de propostas de interesse do Executivo, como também pode apressar o desembarque de partidos que hoje possuem cargos na Esplanada dos Ministérios.
Com isso, a estratégia do presidente tem sido a procura por membros do PSD, União Brasil, Republicanos e MDB, ao mesmo tempo em que os ministros do governo buscam uma reaproximação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Isso acontece depois do Executivo e Legislativo em torno do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Enquanto isso, a oposição costurou o acordo através do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), responsável pela articulação para o fim da ocupação do plenário da Casa no começo de agosto. O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante, os partidos do Centrão deram aval para que as pautas apresentadas pela oposição fossem pautadas no plenário.
“Depois da semana passada, a gente tem que aparar arestas, alinhar as coisas. Está tudo superado. O foco da reunião era a gente se acalmar depois do que aconteceu. Não vamos pautar a anistia agora. O acordo foi pautar o fim do foro, aprovar nas duas Casas e, depois, pautar a anistia. Assim, a gente tira a corda do pescoço dos parlamentares”, declarou o líder do PL.
Para a oposição, o primeiro passo para viabilizar a pauta da anistia é o fim do foro privilegiado. “O compromisso firmado com a sociedade e com os líderes partidários é claro: o texto irá a voto até a próxima semana. Após a apreciação da PEC, vamos avançar na pauta da anistia, que também é uma prioridade para corrigir injustiças cometidas nos últimos anos”, disse o deputado Luciano Zucco (PL-RS).
Para tentar conter o enfraquecimento da base governista, os assessores do Palácio do Planalto tentar conter o aumento do apoio aos projetos da oposição, especialmente articulando com os deputados do Centrão. “Não vai ter anistia nem fim do foro privilegiado para salvar a cara do Bolsonaro. A pauta da chantagem não prosperou nesta reunião do Colégio de Líderes”, disse o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias.