O novo projeto do governo para a regulação de conteúdo das big techs exclui pontos relacionados às “fake news” — considerados um tabu pela oposição no Congresso Nacional — e prevê, em último caso, o bloqueio de plataformas, sem ordem judicial, por “descumprimento sistemático” da lei. O texto já foi concluído e deve ser enviado ao Congresso na próxima semana.

O foco principal da proposta é combater fraudes, golpes digitais, incitação à violência, crimes contra menores e práticas que violem o Código de Defesa do Consumidor. As novas regras não se aplicam a serviços com sigilo de comunicação, como e-mail ou armazenamento em nuvem.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
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Entre as obrigações previstas, as big techs deverão criar canais de atendimento para denúncias, manter uma biblioteca com informações mínimas sobre anunciantes, entregar relatórios periódicos sobre suas ações e comprovar capacidade de remover conteúdos classificados como graves pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Algumas exigências, como manter escritório no Brasil e dispor de protocolo para emergências, serão válidas apenas para plataformas com mais de 3 milhões de usuários.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), atualmente voltada à proteção da privacidade digital, passará a atuar como agência reguladora. Nesse modelo, a fiscalização não ocorreria “no varejo”, postagem por postagem, mas “no atacado”, com base no comportamento reiterado das plataformas.

Segundo as diretrizes, o descumprimento sistemático da legislação poderá levar ao bloqueio temporário das empresas, por determinação da ANPD e sem necessidade de ordem judicial, por até 30 dias — prazo que poderá ser prorrogado por outros 30. Após esse período, caberá à Justiça decidir sobre a continuidade da suspensão.

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