O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (21) que não vê "interesse público" na divulgação das mensagens privadas entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O conteúdo foi revelado pela Polícia Federal (PF) na véspera do indiciamento dos dois por coação no curso de processo relacionado à suposta tentativa de golpe de Estado.

As conversas mostram atritos entre pai e filho diante da cobrança de Eduardo sobre a postura de Bolsonaro após articulações do parlamentar com autoridades dos Estados Unidos em busca de sanções contra o Brasil. Para Tarcísio, a exposição foi desnecessária: “É uma conversa privada de pai para filho, é uma questão que só interessa aos dois e eu não sei nem porque essas conversas foram divulgadas. Realmente não vejo interesse público nisso”, declarou durante evento em Marília (SP).

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tarcísio de Freitas

Embora não tenha criticado diretamente o indiciamento do aliado, o governador demonstrou preocupação com o que considera excessos em investigações. “Me preocupa um pouco o rumo que as coisas estão tomando, o fato de você ver pessoas sendo investigadas em objeto de ações judiciais simplesmente por fazerem críticas. Às vezes, eu vejo que isso não faz sentido. Então, onde é que a gente quer chegar com isso, onde é que o Brasil vai parar? Não vejo aí um bom caminho”, afirmou.

O relatório da PF aponta que o ex-presidente teria planejado fugir do país para evitar a aplicação da lei penal, incluindo a elaboração de uma minuta de pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei. A corporação também acusa Bolsonaro de descumprir medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, como a proibição de uso de redes sociais e de contato com investigados. Segundo a PF, ele teria ativado um novo celular após a apreensão do anterior, além de intensificar a produção e propagação de mensagens por meio de terceiros.

O julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal está marcado para o dia 2 de setembro.

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