Apesar da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos à carne bovina brasileira, as exportações do setor registraram crescimento expressivo em 2025. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) mostram que, até 25 de agosto, os embarques diários da proteína renderam US$ 74,55 milhões, aumento de 70,1% em relação ao mesmo mês de 2024. O volume médio diário também cresceu, chegando a 13.307 toneladas, contra 9.882 toneladas no ano anterior.
O resultado contrasta com a preocupação manifestada no início do ano pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), que estimava uma perda de até US$ 1 bilhão com a medida americana. Embora as vendas para os EUA tenham caído fortemente após a tarifa, os embarques para outros mercados compensaram a perda. A participação da carne bovina no total de exportações brasileiras subiu de 3,35% em agosto de 2024 para 5,22% no mesmo mês deste ano.
Atualmente, a China concentra mais da metade da carne bovina importada do Brasil, com 790,1 mil toneladas entre janeiro e julho, equivalente a 50,5% do total. Os Estados Unidos compraram 169,2 mil toneladas no período, o que representa 10,8%. Já o México, que em 2024 era apenas o décimo maior destino, superou os americanos em julho de 2025, com 15,6 mil toneladas importadas. Parte dessa carne é processada localmente para ser reexportada aos EUA.
Nos Estados Unidos, o impacto do tarifaço foi sentido no bolso do consumidor. O país enfrenta a menor oferta de rebanho em 70 anos, e a dependência de carne importada do Brasil aumentou os preços internos. O Departamento de Estatísticas do Trabalho informou que o valor médio da carne moída atingiu US$ 6,50 por libra em julho, equivalente a R$ 77,71 o quilo, alta de 11,75% em seis meses, bem acima da inflação anual de 2,7%.
Enquanto isso, o Brasil segue expandindo sua presença internacional. Entre 2023 e 2025, o país abriu 17 novos mercados para a carne bovina, alcançando 134 destinos no último ano. Em 2025, doze países autorizaram a entrada da proteína brasileira, incluindo Quênia, Vietnã e Indonésia. O setor agora concentra esforços para conquistar o mercado japonês, considerado estratégico e aguardado há mais de duas décadas.