O ministro do Trabalho, Luiz Marinho , decidiu alterar o desfecho de uma investigação que pode incluir a JBS Aves, unidade da JBS no Rio Grande do Sul, na chamada “lista suja” do trabalho escravo.

No dia 6 de agosto, os fiscais do trabalho constataram a responsabilidade da JBS em relação às condições de dez trabalhadores terceirizados, uma vez que a empresa não garantiu a fiscalização adequada das práticas das contratadas. O processo, que já tramita desde 2024, envolve denúncias de que os trabalhadores contratados para atividades de carga e descarga eram submetidos a jornadas de até 16 horas, além de residirem em alojamentos sem água potável.

Foto: Reprodução/Instagram
Luiz Marinho e Lula

Um relatório da Reuters também apontou que ocorreram descontos ilegais nos salários dos trabalhadores, o que dificultou a saída voluntária do emprego. Essa decisão poderia resultar na inclusão da empresa em uma lista que impede o acesso a determinados financiamentos, além de causar danos à reputação. A atualização da lista está prevista para ocorrer em outubro.

Após as denúncias, a empresa informou a suspensão do contrato com a terceirizada, bem como o bloqueio de novos vínculos. A companhia afirma empregar cerca de 158 mil pessoas no Brasil. Além disso, entre abril e junho, a divisão Seara, responsável pela JBS Aves, registrou receita líquida de US$ 2,2 bilhões, equivalente a R$ 11,7 bilhões.

A Advocacia-Geral da União permitiu que o ministro assumisse pessoalmente o processo, alegando a relevância da JBS para a economia nacional. Assim, na segunda-feira (15), Luiz Marinho retirou o processo para análise própria. A ação gerou estranheza entre os profissionais que atuam em casos de trabalho escravo, visto que a atitude é considerada sem precedentes em mais de 20 anos de atuação da força-tarefa que gerencia a lista suja.

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