O Banco Regional de Brasília (BRB) solicitou à Justiça acesso à investigação contra o Banco Master , que tramita sob sigilo padrão, o segundo maior grau de restrição processual, por determinação do ministro Dias Toffoli , do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse nível de sigilo, apenas o Ministério Público, advogados constituídos, pessoas autorizadas pelo gabinete do ministro ou servidores do tribunal com permissão específica podem acompanhar o andamento do processo.
Em nota enviada ao jornal O Estado de S. Paulo , o BRB informou que solicitou, por meio do escritório contratado para a condução de uma auditoria forense, habilitação para acessar todos os procedimentos investigativos relacionados à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF).
“O Banco BRB destaca que aguarda a decisão da Justiça sobre as solicitações realizadas”, informou a instituição.
O pedido ocorre após o BRB ter tentado adquirir uma participação no Banco Master, operação que foi reprovada pelo Banco Central (BC) em setembro, após pouco mais de cinco meses de análise. Dois meses depois, em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master, e o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero.
No mês passado, o BRB comunicou ao mercado, por meio de fato relevante, a contratação do escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da empresa Kroll, para conduzir uma investigação independente. O objetivo é apurar fatos mencionados na operação policial que possam ter envolvimento com a instituição.
De acordo com o comunicado, os resultados da apuração serão reportados a um Comitê Independente de Investigação, criado em 28 de novembro de 2025 por meio da Portaria Presi nº 2025/016. O colegiado é composto por executivos que não exerciam qualquer função no BRB durante o período analisado.
A investigação da Polícia Federal aponta uma série de falhas e omissões do BRB em operações realizadas com o Banco Master. Diante desse cenário, pouco após a liquidação extrajudicial da instituição financeira, o Conselho de Administração do BRB decidiu solicitar à Justiça Federal de Brasília o ingresso como assistente de acusação na ação movida contra o Master.