Relatórios revelaram que a maioria dos servidores do Tribunal de Contas da União (TCU) recebe uma remuneração além do teto constitucional do serviço público, que é fixado em R$ 46,3 mil. Dados mostram que, entre dezembro de 2023 e 2025, o TCU destinou R$ 55 milhões a pagamentos que excederam o valor. Foram registrados salários que chegaram a R$ 264 mil em um único mês. As informações foram obtidas via Lei de Acesso à Informação pelo jornal Folha de S.Paulo.
Por meio das análises foi descoberto que pelo menos 156 auditores e técnicos, tiveram pagamentos superiores a R$ 80 mil. As remunerações envolvem valores adicionais como diárias, ajudas de custo e verbas indenizatórias, que não se enquadram no teto e são isentas de Imposto de Renda, o que fez o com que alguns salários atingissem R$ 221 mil.
Entre os maiores beneficiados estão três representantes do TCU no conselho de auditores da ONU , na cidade de Nova York, nos Estados Unidos . Um deles é o diretor de auditoria externa, Mauricio de Albuquerque Wanderley, recebeu remuneração média mensal de R$ 187 mil entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025. Antes de assumir a missão nos EUA, Wanderley foi chefe de gabinete do ministro Bruno Dantas, ex-presidente do TCU, que foi responsável pela indicação do servidor para a função internacional.
O Tribunal disse que “valores pagos a título indenizatório não estão sujeitos ao teto, por não terem caráter remuneratório”, e que a prática segue a legislação vigente, segundo a fonte da matéria.
O tribunal também ressaltou que cumpre as normas sobre remuneração de servidores no exterior e considera diárias como indenização por despesas no exercício das funções. Os dados divulgados não incluem gratificação natalina, o 13º salário, que pode ultrapassar o teto. Além do salário-base de R$ 144 mil, Wanderley recebe auxílios mensais de R$ 74 mil, valor que, segundo o TCU, inclui ressarcimento de aluguel diretamente no contracheque.